Aula 1

Olá!
Caros estudantes

Bem vindas/os à disciplina de Projetos de Educação Ambiental!
Neste semestre ela estará sendo conduzida de forma diferenciada, sob a orientação de 3 professores do Laboratório de Educação e Política Ambiental - Oca,  sob meu acompanhamento.

Na aula 21/02, já começaremos com uma visita, que está agendada no mesmo horário e tempo de duração que a disciplina, isto é, Quinta-feira das 14h as 18h.

Sairemos na frente do Prédio Central as 14h, em uma vivencia da semana de recepção para um acampamento de reforma agrária, em Limeira/SP.

- Por favor confirmem a participação e o recebimento deste email -

O objetivo da visita é dialogar com os sujeitos que ali vivem, sobre sua história de vida e seus sonhos.

A questão que precisa ser levantada por cada estudante na visita é: Como os sonhos e utopias podem ser moldados/influenciados pela situação objetiva e subjetiva de vida dos sujeitos

- Façam a sistematização dessa questão  (escrito, desenhado ou da maneira que preferir)

Para contribuir na reflexão, segue abaixo uma frase do Paulo Freire sobre utopia e um texto de Eduardo Galeno, também sobre utopia.
Gostaria que lessem esse poema e texto, como contribuição na construção da Utopia individual.

Qual relação entre Utopia e Projetos de Educação Ambiental?

Iremos conversar mais sobre isso na próxima aula, que será na sala C1 - Departamento de Ciências Florestais, inclusive teremos mais detalhamentos sobre como estará ocorrendo o curso.
Segue o poema e textos abaixo:

"Para mim o utópico não é o irrealizável; a utopia não é o idealismo, é a dialetização dos atos de denunciar e anunciar, o ato de denunciar a estrutura desumanizante e de anunciar a estrutura humanizante. Por esta razão, a utopia é também um compromisso histórico." (Paulo Freire)

Link no youtube - declamação do próprio Eduardo Galeano


"O direito de sonhar 

Que tal se delirarmos por um tempinho
Que tal fixarmos nossos olhos mais além da infâmia
Para imaginar outro mundo possível?

O ar estará mais limpo de todo o veneno que
Não provenha dos medos humanos e das humanas paixões.

Nas ruas, os carros serão esmagados pelos cães.
As pessoas não serão dirigidas pelos carros
Nem serão programadas pelo computador.
Nem serão compradas pelos supermercados
Nem serão assistidas pela TV,
A TV deixará de ser o membro mais importante da família,
Será tratada como um ferro de passar roupa
Ou uma máquina de lavar.

Será incorporado aos códigos penais
O crime da estupidez para aqueles que a cometem
Por viver só para ter o que ganhar
Ao invés de viver simplesmente
Como canta o pássaro em saber que canta
E como brinca a criança sem saber que brinca.

Em nenhum país serão presos os jovens
Que se recusem ao serviço militar
Senão aqueles que queiram servi-lo.
Ninguém viverá para trabalhar.
Mas todos trabalharemos para viver.

Os economistas não chamarão mais
De nível de vida o nível de consumo
E nem chamarão a qualidade de vida
A quantidade de coisas.

Os cozinheiros não mais acreditarão
que as lagostas gostam de ser fervidas vivas.
Os historiadores não acreditarão que os países adoram ser invadidos.
Os políticos não acreditarão que os pobres
Se encantam em comer promessas.

A solenidade deixará de acreditar que é uma virtude,
E ninguém, ninguém levará a sério alguém que não seja capaz de rir de si mesmo.

A morte e o dinheiro perderão seus mágicos poderes
E nem por falecimento e nem por fortuna
Se tornará o canalha em virtuoso cavalheiro.

A comida não será uma mercadoria
Nem a comunicação um negócio
Porque a comida e a comunicação são direitos humanos.
Ninguém morrerá de fome
Porque ninguém morrerá de indigestão.

As crianças de rua não serão tratadas como se fossem lixo
Porque não existirão crianças de rua.
As crianças ricas não serão como se fossem dinheiro
Porque não haverá crianças ricas.

A educação não será privilégio daqueles que podem pagá-la
E a polícia não será a maldição daqueles que podem comprá-la

A justiça e a liberdade, irmãs siamesas
Condenadas a viver separadas
Voltarão a juntar-se, bem agarradinhas,
Costas com costas.

Na Argentina, as loucas da Plaza de Mayo
Serão um exemplo de saúde mental
Porque elas se negaram a esquecer
Os tempos da amnésia obrigatória.

A Santa Madre Igreja corrigirá
Algumas erratas das Taboas de Moisés,
E o sexto mandamento mandará festejar o corpo.
A Igreja ditará outro mandamento que Deus havia esquecido:
“Amarás a natureza, da qual fazes parte”

Serão reflorestados os desertos do mundo
E os desertos da alma
Os desesperados serão esperados
E os perdidos serão encontrados
Porque eles são os que se desesperaram por muito esperar
E eles se perderam por tanto buscar.

Seremos compatriotas e contemporâneos
De todos o que tenham
A vontade de beleza e vontade de justiça
Tenham nascido quando tenham nascido
Tenham vivido onde tenham vivido
Sem importarem nem um pouquinho
As fronteiras do mapa e do tempo.

Seremos imperfeitos
Porque a perfeição continuará sendo o aborrecido privilégios dos deuses
Mas neste mundo, trapalhão e fodido,
Seremos capazes
De viver cada dia como se fosse o primeiro
E cada noite como se fosse a última."

Eduardo Galeano

Att, Marcos Sorrentino, Isabela, Laura e Luã

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