Schema della sezione

  • Apresentação

    Por volta do século VI d.C., levas migratórias oriundas do sudoeste amazônico começaram a se estabelecer no Centro-oeste brasileiro. A presença de extensa mata tropical de interior ofereceu as condições ideais para o desenvolvimento de pelo menos duas sociedades agrícolas na região: a leste e anterior, focando no cultivo de milho, os ceramistas da tradição Aratu; a oeste e posterior, focando no cultivo de mandioca, os ceramistas da tradição Uru. No século IX d.C. estes grupos já estavam plenamente estabelecidos em dezenas de aldeias circulares de até 600 metros de diâmetro, chegando a abrigar entre 1000 e 2000 indivíduos. A presença de dois ou três anéis concêntricos, contendo diversas manchas de terra pretas interpretadas como habitações, confirma o adensamento demográfico atingido por esses grupos. De forma geral pressupõe-se que fossem os ancestrais dos grupos falantes de línguas macro-Jê. A tradição Aratu é reconhecida por um conjunto cerâmico caracterizado pela baixa ocorrência de decoração que inclui vasilhames piriformes e globulares de diferentes tamanhos, destacando-se grandes potes para armazenagem de líquidos e grãos, urnas funerárias, pequenas vasilhas geminadas, rodelas de tortual de fuso e cachimbos tubulares. 

    Nesta aula, também veremos a etnografia e arqueologia dos grupos falantes de línguas da família Jê meridionais, que teriam chegado ao sul e sudeste desde o planalto central. A via de entrada destes grupos é ainda discutida, mas os dados linguísticos e arqueológicos sugerem a região nordeste de São Paulo e sudeste de Minas Gerais, onde estaria a origem das línguas proto-Jê meridionais. Estes grupos são conhecidos etnograficamente como Kaingang e Xokleng e sua manifestação arqueológica é agrupada na Tradição cerâmica Itararé-Taquara. A chegada dos Guaranis, há ca. 2.200 anos atrás, teria causado profundas transformações na organização social e política dos grupos Jê arqueológicos que habitavam nas chamadas "casas subterrâneas" e exploravam a mata de Araucárias. Mais ao sul do país e contemporâneos com os Jê meridionais, a cultura de construtores de cerritos dominou o pampa, com as suas plataformas e aldeias elevadas onde se morava e, muitas vezes, sepultava os mortos.

    Leitura Principal

    • Soares J. 2013. Discutindo a tradição Aratu: proposta de um modelo de dispersão e implantação nas zonas de tensão ecológica. Revista do MAE 23:61-77. PDF
    • Nikulin A.2020. Proto-macro-JÊ: um estudo reconstrutivo. Tese de Doutorado UNB. [Parte 1.1 (pgs 1-30); parte 1.3 (pgs 38-53); parte 3.3 (pgs 177-178). PDF 
    • Índios do Sul – Eduardo Bueno – Buenas Ideias