Contorno da seção

  • Apresentação

    O litoral do Brasil, entre aproximadamente oito e dois mil anos antes do presente, abrigou em seus ambientes lagunares e estuarinos sociedades marítimas que não produziam cerâmica ou praticavam agricultura, mas que, ainda assim, foram extremamente populosas. Estes grupos são reconhecidos arqueologicamente por centenas de montículos construídos com conchas e ossos de peixes. Os sambaquis foram frequentemente utilizados como estruturas funerárias e seu uso recorrente ao longo de séculos/milênios resultou em edificações monumentais que, em alguns casos, atingiam mais de 50 metros de altura e incluíam milhares de sepultamentos humanos. Ao longo do Holoceno médio, ocorre um processo contínuo de sedentarização, adensamento demográfico e complexificação social dessas comunidades litorâneas (i.e. sambaquieiros). Cerca de 2000 anos atrás, tem início uma drástica mudança com a substituição dos sambaquis por sítios rasos, sem conchas e com restos cerâmicos típicos dos grupos Jê do planalto. Finalmente, pouco antes da chegada dos colonizadores europeus, ocorre a migração massiva de grupos Tupinambá e Guarani para a costa. Representaria o fim dos sambaquis um dos eventos de substituição dêmica mais expressivos da América pré-colonial?

    Leitura principal

    • Villagran XS. 2013. O que sabemos dos grupos construtores de sambaquis? Breve revisão da arqueologia da costa sudeste do Brasil, dos primeiros sambaquis até a chegada da cerâmica Jê. Revista do MAE 23: 139-154. PDF
    • DeBlasis P, et al. 2014. Velhas tradições e gente nova no pedaço: perspectivas longevas de arquitetura funerária na paisagem do litoral sul catarinense. Revista do MAE 24:109-136. PDF