No primeiro texto de seu Essays one, de 2019, a norte-americana Lydia Davis fala sobre formas literárias menos tradicionais, que os escritores adotaram ao longo das décadas e dos séculos, formas mais difíceis de definir e menos frequentemente encontradas, e aí menciona variações sobre o conto muito curto e também o que chama de texto intergenérico, narrativas que ficam entre a poesia e a prosa, a fábula ou o relato realista, o ensaio e a ficção. Naquele capítulo e no restante do livro, Davis vai discutir exemplos dessa produção excêntrica e de suas próprias narrativas, que não por acaso se localizam exatamente nos dois casos propostos e que, em seu conjunto, são quase sempre formas breves.
Esse, Formas breves, foi o título de um livro publicado 20 anos antes por um autor intensamente intergenérico, o argentino Ricardo Piglia. Nesse volume, também apareciam bastante embaralhados os lugares do escritor e do leitor, de modos ao mesmo tempo mais e menos excêntricos que os presentes em Davis (e é também nele que Piglia, herdeiro de Edgard Allan Poe e de Jorge Luis Borges, coloca as suas tão incessantemente citadas Teses sobre o conto e Novas teses sobre o conto).
A proposta deste curso é refletir sobre alguns dos diferentes tipos de formas breves na literatura das últimas décadas, tendo como eixos centrais as produções criativas e reflexivas (em variadas combinações e configurações) de Davis e de Piglia, mas também a partir de narrativas de autores diversos como Carlos Drummond de Andrade, Vladimir Nabokov, Silvina Ocampo, Rodolfo Walsh, David Foster Wallace, Raymond Carver, Juan José Saer, Anne Carson, J.M. Coetzee, Alice Munro, Enrique Vila-Matas, Ali Smith, Jennifer Egan, Nalo Hopkinson e Mariana Enríquez.
- Docente Avançado, Docente: Adriano Schwartz