Enrolment options
Neste semestre o curso vai se debruçar sobre a questão das inúmeras formas de violência sofrida pelos povos indígenas ao longo do processo colonial.
O objetivo do curso é testar a produtividade e os limites da noção psicanalítica de trauma para pensar certas experiências indígenas ligadas ao colonialismo, entendido como um processo contínuo e multifacetado com diversas e profundas consequências para os povos a ele submetidos. Interessa-nos especialmente pensar experiências que vem sendo entendidas, na perspectiva do Estado e muitas vezes dos próprios coletivos indígenas, como questões de “saúde mental”; é parte de nossa aposta, a ser investigada e desenvolvida ao longo do curso, a ideia de que tais experiências estão direta ou indiretamente ligadas ao processo colonial.
Ao explorar diálogos possíveis entre psicanálise e antropologia, nos perguntamos em que medida a teoria psicanalítica do trauma pode oferecer uma chave de entendimento e descrição não só de tais experiências, como também dos diferentes processos de resistência e reparação mobilizados pelos coletivos indígenas. Nesse sentido, as categorias de "memória", "catástrofe" e "testemunho" serão investigadas de forma interseccional, tanto em comentadores/as do pensamento freudiano, quanto em autores/as indígenas ou inseridos em outros contextos onde se deram histórias de invasão, usurpação e resistência. Ao mesmo tempo, estaremos atentos aos riscos envolvidos nesse tipo de interpretação/tradução, reconhecendo o potencial epistemicida de uma aproximação entre o saber psicanalítico e a experiência indígena, uma vez que este se baseia em pressupostos culturais e ontológicos radicalmente distintos daqueles que configuram os mundos indígenas.
- Docente: Marina Vanzolini Figueiredo