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A produção da Literatura Colonial Portuguesa, promovida pela Agência Geral das Colonias, através dos concursos de literatura colonial (1926-1974), foi sistematicamente ignorada desde o 25 de Abril, apontando uma dupla ação da crítica: ou busca a superação do passado, que se configura como trauma histórico e cultural em Portugal e nas antigas colônias portuguesas no continente africano, ou ignora a intensa interferência do regime autoritário do Estado Novo na produção literária. Seu apagamento, entretanto, estabelece um capítulo das histórias literárias das nações envolvidas no processo, que ignora a violência inerente ao Estado que reconstrói a História para legitimá-lo. A Literatura Colonial, capítulo tardio dessas histórias literárias, foi um projeto deliberado de propaganda do estado, mas que em vários momentos frustrou seus objetivos. Se, por um lado, pretendia disseminar a mística imperial e a empresa colonial, por outro, a parte o aparato político e ideológico que a envolve, fecundou, por meio de uma produção de resistência, as literaturas nacionais das antigas colônias africanas de Portugal. Por meio dessa última característica, a literatura colonial portuguesa evidencia-se naquilo que Ithamar Even-Zohar (1997) denominou como polissistema, ou seja, um conjunto cultural que se constitui como um espaço onde se interceptam sistemas culturais diversos e, muitas vezes, antagônicos, mas para onde convergem os seus sentidos. Investigações produzidas a partir das independências dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa , tendo em vista a proposição de Even-Zohar (1997), vem proporcionando subsídios para não apenas uma revisão histórica e cultural, mas para assinalar a complexidade de um período em que a historiografia literária, tanto portuguesa, quanto dos cinco países africanos de língua oficial portuguesa, se desenha a partir de uma linearidade não apenas anacrônica, mas a serviço, ainda, dos aparatos ideológicos dos diversos estados nacionais.

Objetivos:

a) Introduzir o estudo da Literatura Colonial Portuguesa e da Literatura Ultramarina, assinalando as suas interfaces com as Literaturas Africanas de Língua Portuguesa. b) Atualizar o estudo da história literária, destacando-a como instrumento problematizador dos sistemas literários português e dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. c) Assinalar a História (e a história literária) como discursos biográficos da nação. d) Verificar a (re)configuração dos discursos nacionalistas, dos discursos autoritários e da mística imperial que antecederam o Golpe Militar de 1926 e se desenvolveram durante o Estado Novo. e) Observar os concursos de Literatura Colonial, promovidos pela Agência Geral das Colonias/ do Ultramar como efetivo aparelho ideológico do Estado, desde a promoção da mística imperial até a assimilação e reinterpretação do lusotropicalismo, de Gilberto Freyre. f) Analisar, em obras significativas da Literatura Colonial/ do Ultramar, os procedimentos de ficcionalização e interpretação do colonialismo português durante o século XX e a construção da alteridade. g) Assinalar a emergência das literaturas nacionais das antigas colônias africanas portuguesas como resistência à literatura colonial e ao colonialismo. h) Observar a permanência e a promoção do discurso imperial e colonial na contemporaneidade.
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