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À luz do conceito de sofrimento social, a disciplina tem por objetivo apresentar e discutir problemas contemporâneos para a saúde mental coletiva, com base na diversidade dos processos mentais e cognitivos culturalmente apropriados em diferentes contextos sociais, etnográficos e historiográficos. O curso busca cultivar um pensamento comum sobre a Saúde Mental Coletiva, a partir de uma leitura socioantropológica das estruturas e relações sociais, com atenção para as relações de assimetria, diferença, poder e hierarquia, e a ocorrência saliente no tecido sociohistórico das formas de autoridade sem autor (“tradição”). Algumas tradições, como o autoritarismo arbitrário nas formações brasileiras e a distribuição capitalista da violência nas sociedades modernas pós-industriais, estão em associação direta com indicadores de iniquidade em saúde pública.
A proposta da disciplina consiste em tomar a saúde coletiva, especificamente a saúde mental coletiva, como terreno crítico dos processos de sociogênese, configuração relacional e engenharia social, envolvendo processos históricos e dinâmicas contemporâneas de concentração, reorganização, contraefetuação e redistribuição do poder, com consequências significativas na morfologia social e na constituição material e simbólica do socius. A discussão empreendida ao longo deste curso busca ressaltar que o Mundo como o conhecemos é o terreno inequívoco para a experiência de saúde mental.
A disciplina aborda problemas sociais e problemas sociológicos que estão permeados por desafios importantes para o cuidado em saúde mental coletiva. O conteúdo será trabalhado em aulas expositivas e discussão da bibliografia — a partir da reação da turma aos textos indicados e referências complementares. Sugerimos que esses trabalhos discutam abordagens e paradigmas de promoção da saúde mental coletiva, em diálogo com as lutas políticas pela efetivação das garantias individuais e acesso pleno aos direitos humanos, direitos digitais, direito à cidade e direito à loucura. As crises humanitárias (crises de humanidade) e o pós-humanismo indicam situações características da ontologia do tempo presente, e que serão abordadas ao longo da disciplina.
- Docente: Deivison Mendes Faustino
- Docente: Diego Madi Dias