O objetivo do curso é discutir entrelaçamentos entre poder, eugenia, ciência e colonialidade, a partir de autores que constituem pontes conceituais para vários debates contemporâneos. A história da eugenia não deve ser vista como uma narrativa sobre uma ideia equivocada, uma pseudociência ou apenas um caso de ‘engodo científico’ ocorrido no passado, mas sim como um fenômeno complexo que mistura poder (Michel de Foucault), colonialidade (Malcon Ferdinand), produção de conhecimento científico (Bruno Latour) e a construção sociotécnica da natureza e do corpo (Donna Haraway). Esta abordagem nos permite não apenas compreender o movimento histórico, mas também questionar como seus legados persistem em debates contemporâneos sobre engenharia genética, justiça ambiental e as promessas de "aprimoramento" humano com um olhar crítico. O curso propõe construir uma análise aprofundada da história da eugenia, compreendendo- a como um movimento científico e social de alcance global, que se manifestou de formas particulares em diferentes contextos nacionais. Haverá ênfase na qualificação conceitual a partir dos autores citados acima, complementada pela historiografia brasileira na área, na qual têm sido explorados como os ideais eugênicos foram recebidos, adaptados e ressignificados por intelectuais, médicos e sanitaristas no país. O curso examinará interseções da eugenia com questões de raça, gênero, nação, saúde pública e ciência, desde seu surgimento no final do século XIX até seus possíveis legados no período contemporâneo.