Ao se considerar a formação do mundo contemporâneo e das relações internacionais através de processos políticos de longa duração, uma das análises mais interessantes consiste em questionar os projetos de modernidade concebidos no século XIX no espaço atlântico e que acabariam impostos, cobiçados, transferidos ou adaptados a diversos espaços e culturas do globo ao longo do século seguinte. O interesse por tal perspectiva justifica-se pela forma como fora concebida e praticada a liberdade política de então, base das relações internacionais contemporâneas. Particularmente, faz-se importante compreender como tal liberdade acabou cerceada pela natureza violenta dos modelos de organização política que o Ocidente concebeu. Apesar do imperioso e intenso combate ao etnocentrismo protagonizado pelas Ciências Humanas nas últimas décadas, as experiências sociais, políticas e econômicas que o espaço atlântico experimentou também contribuíram para uma formação de mundo e são parte das conexões nele existentes, mesmo se longe de serem as únicas ou as mais importantes. Assim, as grandes transformações que o XIX conheceu, como a emergência dos nacionalismos de existência e de potência, a formação do Estado-Nação, a Revolução Industrial, o início dos processos de urbanização e os novos embates ideológicos, que serão estudados no curso, auxiliam fundamentalmente a entender as guerras mundiais, a Guerra Fria, a sociedade de massas e da utopia do XX e as radicalizações políticas do tempo presente.