O objetivo do curso é discutir como a História da Ciência e da Técnica pode se transformar em Histórias das Ciências e das Técnicas. Qual seria a diferença? Uma vertente dos estudos da área pensa Ciência e Técnica no singular, por remeter a um conjunto de situações estabilizadas e conhecidas, nas quais grandes nomes, gênios e heróis apresentam descobertas e invenções como conquistas da lógica e da racionalidade ocidental e que devem ser impulsionadas em direção ao progresso infinito. Explicações externalistas e explicações internalistas seriam modos de alcançar algum entendimento sobre o que acontece quando um cientista descobre algo sobre a natureza, explicando seu funcionamento. Contudo, a partir de um campo interdisciplinar ainda em aberto, as Histórias das Ciências e das Técnicas implicam no uso dos termos no plural, não apenas para indicar diferentes áreas do conhecimento, mas para acompanhar práticas científicas e tecnológicas ainda não fechadas em caixas-pretas. Tenta-se assim chamar atenção para um processo em construção, aquele das ciências em ação, com atores e agentes, plenos de emoção, escolhas e interessamentos. Ao fim, espera-se demostrar como funciona nossa sociedade do conhecimento em diferentes dimensões e tempos históricos, e como a natureza, feita de humanos e não-humanos, resulta em uma construção coletiva em fluxo contínuo. Com isso surge a possibilidade de superar dicotomias tradicionais entre ciência e sociedade, natureza e cultura, contexto e conteúdo, entre outras dualidades modernas, para buscar compreender formas de produzir novos conhecimentos direcionados à busca da felicidade.