Há certo tempo, um fantasma paira sobre o estudo da História Moderna: o fantasma da transição. Essa transição, por vezes, se apresenta nas formas de "feudalismo para capitalismo", "descentralização para centralização", "teocentrismo para antropocentrismo" ou "virtude para o interesse". Com frequência, a época moderna é associada a "origens" ou "fundações", o que se evidencia nos inúmeros livros que trazem o subtítulo “as origens do mundo moderno”. As perguntas “o que há de moderno” ou “o que há de medieval” em determinada formação (seja ela o Estado, a ciência, etc.) revelam uma hipostasia temporal – uma operação conceitual moderna – que, infelizmente, ainda perdura na tradição historiográfica. Contudo, nas ciências, novas respostas demandam novas perguntas. Portanto, em nosso contexto, é essencial vislumbrar outras histórias modernas que não apenas culminem no Estado Moderno, nas Revoluções ou no Capitalismo. Seria possível, então, identificar uma ou diversas “modernidades” entre os séculos XVI a XVIII? Ou estariam os historiadores da modernidade fadados a recorrer ao conceito de "transição" como categoria central de explicação? Diante dessas reflexões, este curso tem como objetivos:
· Apresentar os temas mais prementes no campo da História Moderna, amparando-se nos autores clássicos, na historiografia recente e na análise de fontes primárias
· Realizar discussões bibliográficas e leitura conjunta de textos, fortalecendo o aparato crítico necessário à prática historiográfica;
· Refletir sobre as questões relacionadas ao ensino da História Moderna, apresentando recursos didáticos e abordando os temas fundamentais que os futuros professores e professoras poderão enfrentar em sua atuação;
· Explorar leituras da época Moderna que desafiem a perspectiva teleológica das “origens” ou da “transição”.
- Docente: Daniel Gomes de Carvalho