Desde o esgotamento do ciclo desenvolvimentista que o Brasil procura novos caminhos para crescer. Ainda que a experiência histórica brasileira, confirmada pela de vários outros países, tenha demonstrado que embora o crescimento econômico não diminui automaticamente as desigualdades, nem leva mecanicamente à superação de distorções e disparidades estruturais que sustentam o atraso brasileiro, é quase um consenso a visão de que o crescimento econômico permite o equacionamento desses problemas e que, sem crescimento, sua superação torna-se, simplesmente, wishful thinking. As condições atuais são distintas do passado, em que o Brasil cresceu rápida e intensamente por décadas. O mundo mudou, as sociedades se transformaram. O Brasil mudou muito. Diminuiu desigualdades sociais e diversificou ainda mais seu parque produtivo e de serviços. No entanto, a economia do pais não consegue manter seu crescimento e o país vive uma combinação de crises – políticas, econômicas e institucionais – de proporções inéditas. Alternativas? É o que muitos buscam ou propõem. Mas sem levar em conta que a afirmação de economias baseadas em commodities, como a brasileira, estreitou-se dramaticamente, é praticamente impossível voltar a crescer de modo mais duradouro e sustentável. Nesse sentido, é essencial o esforço para diminuir a distância que separa a nossa produção de Ciência, Tecnologia e Inovação da fronteira do conhecimento, assim como facilitar o avanço das empresas brasileiras na direção das práticas mais competitivas, de modo a dinamizar a economia e gerar empregos de qualidade. Este curso vai discutir algumas das questões, obstáculos e constrangimentos estruturais candentes que os países emergentes – e o Brasil – enfrentam para crescer, a começar pela competência de seu sistema produtivo e pela qualidade e impacto econômico e social do conhecimento que produzimos.

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