Antropologia
Propiciar a reflexão teórica e metodológica sobre conceitos fundamentais da antropologia social britânica e do culturalismo norte-americano (fases clássicas). Debater como as teorias clássicas se relacionam com as temáticas da diversidade cultural, das relações raciais e do racismo, e das diversidades religiosas no ambiente da sociedade e no contexto escolar. Explorar questões, conteúdos e materiais (textos de divulgação, filmes – documentários e ficções –, ensaios fotográficos, reportagens, acervo disponível no Laboratório de Imagem e Som de Antropologia – LISA) relacionados ao curso, de forma a instrumentalizá-los na capacitação dos alunos para a docência.
Possibilitar ao aluno de ciências sociais um aprofundamento de temas e conceitos em debate na antropologia contemporânea. Explorar questões, conteúdos e materiais relacionados ao curso, de forma a instrumentalizá-los na capacitação dos alunos para a docência.

Após a Segunda Guerra Mundial e o fim do colonialismo, a Guerra Fria acentuou debates sobre a natureza do crescimento econômico, da pobreza e da desigualdade, levando ao surgimento de agências nacionais e internacionais que visavam promover o desenvolvimento naquilo que foi concebido como o “Terceiro Mundo”. A emergência do desenvolvimento como uma ideologia do progresso, um ramo das ciências sociais e uma gigantesca indústria internacional está intimamente ligado ao surgimento da economia capitalista e da expansão colonial. O presente curso propõe uma investigação crítica das premissas e das implicações dessa ordem econômica e das políticas do desenvolvimento a que deu origem. A partir de estudos etnográficos em diferentes regiões do globo, examinaremos o desenvolvimento como uma epistemologia ocidental duradoura, como forma de dominação econômica e burocrática, como um projeto de engenharia social e como uma ontologia particular em constante transformação nas fronteiras do capitalismo contemporâneo. Para tanto, o curso irá perseguir questões tais como: O que é desenvolvimento e quais suas origens? Como o seu sucesso é definido? Quem são os atores e agentes que decidem os termos desse sucesso? Quais limites, problemas e alternativas as visões atuais sobre o desenvolvimento engendram e como diferentes concepções sobre sua natureza são postos em diálogo? Por fim, o curso finaliza com uma discussão sobre futuros alternativos e o papel da antropologia e de comunidades autóctones na produção, disseminação e interpretação de visões alternativas sobre progresso, humanidade e um futuro partilhado

O curso abordará o desenvolvimento (suas premissas, instituições e práticas)  através de diferentes perspectivas teóricas. A literatura sobre o desenvolvimento tem uma história relativamente recente e multifacetada e um dos maiores desafios constitui-se na identificação do objeto a ser estudado e na escolha da metodologia para persegui-lo. Nesse sentido, abordaremos pesquisas que produziram categorias analíticas para não somente para enfrentar os desafios postos pela antropologia do desenvolvimento, como também buscaram solucionar problemas identificados por uma antropologia mais afeita a análise dos fenômenos globais.

Assim o curso irá abordar o desenvolvimento a partir de estudos que (I) analisam criticamente as origens epistemológicas de suas premissas, instituições e práticas; (II) que definem o desenvolvimento como um regime discursivo relacionado aos processos de formação de Estado, às formas de governo e às relações de poder; (III) que problematizam os efeitos práticos da engenharia social e ambiental que propõe, (IV)  que denunciam os conflitos e resistências de povos cujo modo de vida não coadunam com o modus operandis das práticas desenvolvimentistas, (V) aqueles que cotejam os diferentes modo de vida e interpretações postos em contato pela estrutura desenvolvimentista e (VI) aqueles que etnografaram entendimentos alternativos e projetos autóctones sobre o desenvolvimento, bem estar social e humanidade.

 

Possibilitar às(aos) ingressantes no curso de graduação em Ciências Sociais e a estudantes de outros cursos uma formação básica e introdutória em Antropologia Social, estabelecendo perspectivas para o aprofundamento de instrumentos conceituais, teóricos e metodológicos pertinentes à reflexão antropológica. Estimular que futuras(os) professoras(es) conheçam e problematizem conceitos centrais da antropologia como cultura, etnocentrismo, relativismo e diversidade cultural.


Familiarizar o aluno de Ciências Sociais com os fundamentos teóricos e procedimentos analíticos do estruturalismo, a partir da leitura e discussão da obra de Claude Lévi-Strauss. Explorar o acervo disponível no Laboratório de Imagem e Som da Antropologia para capacitar o aluno, futuro professor, para trabalhar com seus alunos do ensino médio as questões referentes à organização e cultura de diferentes grupos e sociedades.

Este curso tem por objetivo propiciar reflexões antropológicas em torno de questões que perpassam travestilidades, transexualidades e transgeneridades, por meio de pesquisas acadêmicas e debates políticos que tem se desenvolvido no país e no exterior desde os anos 1970 e 1980 até os dias atuais. Com especial atenção a trabalhos produzidos por autories trans, além de pesquisadories das ciências sociais e áreas afins, pretende-se abordar diferentes perspectivas, que revelam modos diversos de vivenciar gênero e sexualidade (atravessados por outros marcadores sociais da diferença como corpo, raça, etnia, geração, região, etc.), de ocupação de territórios, de existir e sobreviver em contextos sociais e históricos distintos e de produção de suas próprias subjetividades e coletividades. Propõe-se também dar visibilidade a experiências que desafiam e enfrentam a imposição cisheteronormativa e a sua naturalização.

Esta disciplina visa introduzir os alunos da graduação na área dos estudos de gênero, com um enfoque que aproxima a antropologia com outras áreas das humanidades. Gênero tornou-se um campo de estudo associado à ampla reflexão teórica com diversas ênfases e abordagens. A produção teórica específica sobre gênero que vem desde a década de 1970, em forte diálogo com as teorias sociais e feministas produziu reflexões acerca das formas de poder e de desigualdade que são social e culturalmente produzidas.

A disciplina apresenta a área dos estudos de gênero mostrando inicialmente sua relação com os debates fundamentais da antropologia (como a dicotomia natureza/cultura). Reconhecendo as relações desta área com a questão das formas de poder, a disciplina aponta para a forma como o conceito de gênero advém dos estudos sobre mulheres e/ou feministas, explorando também o problema contemporâneo da identidade em seu aspecto político. A disciplina busca acompanhar os desdobramentos teóricos posteriores em diálogo intenso com a reflexão interseccional e abordando também desdobramentos mais recentes (como as perspectivas pós-colonial e decolonial), e com áreas afins à antropologia. Explora-se assim de modo mais detido as relações entre gênero e outras marcadores sociais da diferença, especialmente raça, classe e sexualidade.

Conteúdo:

I - Apresentação à temática e a retomada da antropologia clássica: Os limites do corpo e do sexo na teoria antropológica; Sobre a oposição natureza e cultura

II – Os usos do termo Gênero: Primeiros usos nas Ciências Humanas; Mulheres ou gênero?; A abordagem de Foucault e dos estudos sobre sexualidade; Os problemas do “sexo”; Corpo e identidade; Tecnociência.

III- Marcadores sociais da Diferença: Gênero e sexualidade; Gênero e raça; Gênero, classe e raça; Interseccionalidades; Colonial, pós-colonial, decolonial

Obs: Este conteúdo não é necessariamente abordado nessa ordem, pois os temas atravessam mais de uma aula.

O curso tem como objetivo central lançar uma reflexão ampliada sobre a noção de criação, afastando-a das trilhas correntes que tendem a associá-la ao engenho inventivo de um sujeito (individual ou coletivo), e à elaboração de coisas novas em função de projetos que incidem sobre o mundo ao redor. O intuito é testar os rendimentos analíticos da noção quando experimentada em domínios outros, alargando-a com o auxílio de pesquisas realizadas em terrenos variados: criação de gentes, animais, roças, objetos etc. Em um segundo tempo, trata-se de focalizar as artesanias que, interpretadas à luz dessa série semântica ampliada, logram separar-se de vias interpretativas usuais que as associam, de um lado, à “tradição” e, de outro, às identidades e resistências. Menos do que negar a importância das discussões existentes, o intuito é deslocar a reflexão, com o auxílio de análises variadas, que auxiliarão, entre outras coisas, a que procedamos ao escrutínio crítico de categorias tais como “arte popular”, “arte primitiva”, “folclore”, “artesanato”, “tradição” etc.
A disciplina tem como objetivo discutir abordagens de universos musicais a partir das ciências humanas, em especial da antropologia. Serão discutidas diferentes possibilidades analíticas a partir de escutas e da leitura de monografias, ensaios e artigos sobre práticas musicais em diferentes contextos, desde aldeias amazônicas até as salas de concerto metropolitanas.
Introdução à antropologia, oferecida aos alunos ingressantes no curso de Ciências Sociais.