Agenda do Curso

  • Conteúdo Geral da Disciplina EHA 5719 – Crítica de Arte Moderna no Brasil

    A disciplina tem como ponto de partida a leitura de 2 textos de Mário de Andrade, 4 textos de Sérgio Milliet e 4 de Mário Pedrosa, tomando por base as seguintes questões norteadoras da crítica de arte no Brasil entre as décadas de 1920 e 1950:

    1)      Academismo X Modernismo – polarização entre Rio de Janeiro e São Paulo

    2)      Noção de arte nacional

    3)      Pintura social e a noção de Realismo

    4)      Figuração X Abstração

    5)      Formação do público de arte moderna e papel das instituições artísticas

    Tais questões e os autores tratados serão abordados partindo da noção não tanto da crítica de arte brasileira, mas da crítica de arte no Brasil, e de como eles constituem a relação dos desdobramentos do Modernismo aqui com o contexto internacional. Para tanto, será necessário também discutir noções de centro e periferia, e quais as relações de força dadas no momento de constituição de uma crítica de arte moderna entre nós. Será importante também mapear as referências que esses três críticos têm para propor suas leituras da arte moderna.

  • Aula I - 28.02

    Assuntos Discutidos:

    - Apresentação do programa de curso, breve visita ao espaço expositivo, biblioteca e indicação da localização do gabinete de papel;

    - Introdução geral à historiografia da arte brasileira: principais questões envolvendo a leitura dos textos propostos;

    - Contexto da semana de 22: político, artístico, figuras principais, relação com o conceito de futurismo;

    - Apresentação da cronologia geral de Arte Moderna, a partir de períodos emblemáticos no Brasil e no exterior
  • AULA II - 06.03

    Assuntos Discutidos:


    - A crítica de arte no Brasil: sua formação no final do Séc. XIX no contexto carioca, suas figuras mais emblemáticas e suas práticas;

    - A crítica modernista: contexto dos salões, os expoentes, as revistas que propagaram suas ideias e os principais críticos: Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Sérgio Milliet e Mário Pedrosa;
    - A questão de uma linguagem plástica modernista em linha com o discurso dito modernista e a busca por uma arte que representasse a identidade nacional;

    - O “Futurismo Paulista” de acordo com Annateresa Fabris em O Futurismo Paulista. São Paulo: Perspectiva/Edusp, 1994 (col. Estudos/Arte) e a diferença existente entre o que se conhecia como “Futurismo” e o “Momento Futurista” no Brasil;

    - Antecedentes da Semana de 22: entre 1917 e 1922;

    - No Exterior: o fenômeno do “Retorno à Ordem”acontecendo na Europa por meio de manifestações diferentes (a exemplo da Itália com o “Novecento Italiano” e a “Nova Objetividade” na Alemanha).
    • 13.03 - NÃO HAVERÁ AULA

      NÃO HAVERÁ AULA

      • 20.03 - NÃO HAVERÁ AULA

        NÃO HAVERÁ AULA

        • AULA III - 27.03

          Assuntos Discutidos:

          - Introdução à crítica de Mário de Andrade a partir de três momentos de sua produção: entre 1917 e 1922; entre 1924 e 1928; e entre 1935 e 1943;

          - discussão do texto “A Escrava que não era Isaura”, sendo:

          - o contexto histórico em que o texto foi escrito e o de sua publicação posterior; conteúdo do texto, que é uma publicação teórica sobre a escrita modernista (discorre sobre sua forma e possibilidade de assuntos);

          - artistas, escritores e poetas com os quais ele dialogava quando escreveu o texto e quais movimentos artísticos ocorriam fora do Brasil que impactavam de alguma forma em sua produção;

          - noção da retomada de valores clássicos na arte no contexto do “Retorno à Ordem”;

          - e quais artistas ele estava observando naquele momento – discussão das obras “A Negra” e “A Capirinha” de Tarsila do Amaral.

          - Tendo em vista os assuntos abordados em aula, seguem as indicações de leituras a partir das referências bibliográficas do curso:

          CHIARELLI, Tadeu. Pintura não é só beleza: A Crítica de Arte de Mário de Andrade. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 2007 – capítulos I, II e III.

          FRY, Roger. Visão e Forma. São Paulo: Cosac Naify, 2007 – texto “A Visão do Artista”

        • AULA IV- 03.04

          Assuntos discutidos:

          - Discussão do texto de Mário de Andrade “O Movimento Modernista” de 1942, sendo:

          - o contexto histórico em que foi feito (na sua volta do RJ) e o de sua publicação posterior;

          - conteúdo do texto: balanço de 20 anos da semana de arte moderna de 22 (Anita Malfatti e Brecheret como grandes expoentes); suas diferenças com relação ao texto analisado na aula anterior “A Escrava que não é Isaura” de 1925; relação com o contexto político brasileiro e internacional (II Guerra, regimes totalitários); a posição de Mário de Andrade quanto ao Grupo Santa Helena e sua visão entre o ambiente artístico e cultural carioca e paulista; fala sobre as diferenças entre os Salões Modernistas; debate em torno da reforma da língua portuguesa; o apoio ao projeto modernista por parte da elite paulista e a falta dele por parte da elite imigrante; caráter “destruidor” do movimento modernista e quais os impactos posteriores disso; no entre-guerras na Europa a noção da retomada de valores clássicos na arte no contexto do “Retorno à Ordem”; e quais artistas ele estava observando naquele momento.

          - discussão das obras: “A Carioca” de Pedro Américo, “O Caipira Picando Fumo” de Almeida Jr., “Segunda Classe”, “Operários” e “Maternidade” de Tarsila do Amaral e “Mãe Negra”, “Casa na Floresta”, “Pogrom” e “Navio de Imigrantes” de Lasar Segall.

          - Tendo em vista os assuntos abordados em aula, segue indicação de leitura a partir das referências bibliográficas do curso:

          BARR, Alfred. Que é Arte Moderna?. São Paulo: MoMA/MAMSP, 1953 (disponível na biblioteca do MAC)


        • AULA V - 10.04

          Assuntos Discutidos:

          - 1ª parte da aula: orientações sobre a elaboração da resenha crítica: conteúdo, cronograma, normas ABNT;

          - 2ª parte da aula: introdução à crítica de Sérgio Milliet pela Profª. Regina Campos, sendo:

          - apresentação da sua biografia: períodos em que esteve fora do Brasil; sua atuação como poeta, crítico, escritor, professor, diretor da Biblioteca Nacional, do MAMSP, das Bienais de SP de 1953 e 1957; sua relação com o meio artístico brasileiro e, sobretudo, com Mário de Andrade; a divulgação de artistas e escritores fora do Brasil e envio de informações, textos traduzidos para o Brasil; contribuição para a consolidação de um discurso de arte moderna no Brasil.

          - Leitura e discussão do texto “Sérgio Milliet visto por Sérgio Milliet”, in Leitura, novembro 1943.

          Recomenda-se a leitura do texto que foi entregue em sala de aula pela Profª. Regina:

          - “Prefácio em tom de polêmica”, in Sérgio Milliet, Fora de Forma. São Paulo, Ed. Anchieta, 1942, pp. 5-9. 

          • AULA VI - 17.04

            Assuntos Discutidos:

            - 1ª parte da aula:

            - apresentação de três pinturas de Milliet sendo duas de 1953 e uma de 1947 (e de mais uma pintura no verso da “marinha”): análise formal das obras; em que contexto Milliet se torna pintor; com quais artistas dialoga e quais críticos lê; a defesa que faz do Grupo Santa Helena e dos valores difundidos em suas obras; retrospectiva de Milliet pintor em 1969 no MAMSP;

            - histórico da Galeria Domus e sua importância no contexto artístico; apoio de Cicillo Matarazzo;

            - 2ª parte da aula:

            - discussão a respeito dos textos de Milliet: “Do assunto”, “Pintura Moderna” e “Em torno do 3o. Salão de Maio” In: Pintores e Pinturas. São Paulo: Martins Fontes, 1940.

            - no geral foram abordados os seguintes aspectos: arte moderna como arte em crise para Milliet; a questão posta por Milliet do papel do pintor e o da arte naquele momento; experiências individuais que levavam a uma ruptura com o público, incompreensão; valorização do realismo; condenação da linguagem plástica da abstração; contexto político brasileiro complicado e sua relação com regimes totalitários europeus; apresentação de ideias que se articularão no seu texto Marginalidade da Pintura Moderna depois;

            - texto “Do assunto”: Milliet faz referência à Andre Gide no que diz respeito a questão do “assunto” na arte e discute como as vanguardas tentaram aboli-lo de suas obras e como essa questão se articulou nas décadas seguintes; faz ataque ao surrealismo; afirma que a arte é reflexo da sociedade, é expressão da vida; fala da relação do artista com o métier e o diálogo com o público; Professora Ana comentou a possibilidade do contato de Milliet com as teses de Wassily Kandinsky em Do Espiritual na Arte e Wilhelm Worringer com Abstraktion und Einfühlung;

            - texto “Pintura Moderna”: explicação a respeito do contexto dos Salões de Maio; Milliet faz crítica às experiências abstracionistas; lança a ideia de criação de um museu público de arte moderna para a educação para a arte; comenta a respeito dos trabalhos dos artistas com maior ênfase e entusiasmo na pintura paulista, no Grupo Santa Helena; Milliet coloca o artista numa posição mais elevada do que o público; discussão do papel ocupado pela pintura do Grupo Santa Helena e o fato de não corresponder a uma pintura moderna brasileira por excelência, ainda que não estivesse descolada das atividades que ocorriam fora do país, sobretudo, no caso italiano;

            - texto “Em torno do 3o. Salão de Maio”: Milliet critica às experiências surrealistas; fala sobre a contribuição estrangeira que prima pelo cerebralismo, mas que não consegue se fazer entender e interessar ao público; comenta a importância de legendas para a pintura; fala brevemente sobre os artistas expostos, enfatizando as qualidades daqueles que ele preferia.


            - Leituras Sugeridas:

            ZANINI, Walter. A Arte no Brasil nas Décadas de 1930-40: O grupo Santa Helena. São Paulo: Nobel, 1991.

            MAGALHÃES, A. G. Falce, Sedia e Canestro sull'Aia (em anexo nos arquivos da aula de hoje). 


          • AULA VII - 24.04

            Assuntos discutidos:

            1 - na 1ª parte da aula foram apresentadas as seguintes obras em papel do acervo MAC USP:
            - Di Cavalcanti - “Sem título (Fábrica)”, 1929; “Sem título (Fábrica)”, s.d.; “Sem título (Casal e Natureza-Morta)”, s.d.:
            - Fulvio Pennacchi – “Jogadores”, 1929; “Grevistas”, 1930; “Cena: Vida de São Francisco (1)”, 1936.
            - A partir do contexto do “retorno à ordem”, discutiu-se em que medida a solução plástica empregada nessas obras estava em sintonia com as criações de artistas italianos do mesmo período, e mesmo com os temas trabalhados por eles, a exemplo dos “jogadores” e “operários”. Essas linguagens plásticas foram desenvolvidas a partir de um diálogo com a tradição clássica da arte, mas estavam longe de ser um “retrocesso artístico”, pois incorporavam elementos artísticos novos e geravam outras reflexões e debates; Falou-se a respeito dos valores propagados pelo Grupo Santa Helena em São Paulo e a visão de Milliet e Mário de Andrade dessas proposições artísticas;
            - Artistas que serviram como referência para as obras observadas: Mario Sironi, Ottone Rosai, Carlo Carrà. No que diz respeito à crítica de arte do período, foi citada Margherita Sarfatti, que estava em linha com os preceitos do Heinrich Wölfflin em “Conceitos Fundamentais da História da Arte”.
            - Foi discutida também a relação entre essa nova arte italiana dos anos 30 x fascismo.

            2 - na 2ª parte da aula foram apresentados dois seminários de textos escritos por Sérgio Milliet, sendo:

            2.1 -   “Marginalidade da Pintura Moderna” In: Pintura Quase Sempre, pp. 99-156. Apresentado por Renata Rocco.

            Pontos Principais:
            - contexto de publicação em 1942; divisão do texto em duas partes (desenvolvimento do conceito de marginalidade e a segundo, um detalhamento dos período artísticos desde o pré renascimento); críticos em que se apoia para o desenvolvimento do conceito de “Marginalidade” e a reflexão que faz a partir da sociologia; “marginalidade” é algo que aparece nos momentos de transição, não exclusivo às artes plásticas e que se fundamenta na questão da “ruptura”; apresentação dos gráficos de clímax e transição e discussão do quanto estão relacionados com conceitos trabalhados por Wölfflin em “Conceitos Fundamentais da História da Arte” e Sarfatti em “Storia della Pittura Moderna”; apresentação de algumas obras que Milliet cita e a explicação do porquê as escolhe em detrimento de tantas outras (relação com a historiografia da arte); caminhos que a arte deveria seguir a partir daquele momento (déc. 40), defesa da pintura feita no contexto do retorno à ordem; ataque as tendências abstracionistas, dadaístas, surrealistas.
            Referências do Seminário:

            GREEN, Arnold. A Re-examination of the Marginal Man Concept. Estados Unidos: Oxford University Press, University of Pensilvania, 1947.

            MAGALHÃES, Ana. As Coleções Matarazzo no Acervo do MAC USP e a Pintura Moderna no Brasil. In: VI ENCONTRO DE HISTÓRIA DA ARTE DO INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS, 2010, Campinas, SP. Atas... Campinas: UNICAMP, 2010. p.45 – 53

            MILLIET, Sérgio. “Pintura Moderna” In: Pintores e Pinturas. São Paulo: Martins Fontes, 1940.

            SANTANA, Naum Simão. O Crítico e o Trágico: A Morte da Arte Moderna em Sérgio Milliet. Tese de Doutorado defendida em São Paulo em 2009. Na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Disponível em : http://www.pos.eca.usp.br/sites/default/files/File/dissertacoes/2009/2009-do-santana_naum.pdf . Acesso em 16.04.2012.

            WÖLFFLIN, Heinrich. Conceitos Fundamentais da História da Arte. São Paulo: Martins Fontes, 2001

            2.2) A Pintura Norte-Americana. São Paulo: Martins Fontes, 1943. Apresentado por Mariana Lenharo.

            Primeira parte: buscou explicar de que maneira houve essa aproximação de Milliet com os EUA: - 1937: Começa o Estado Novo – ditadura de Getúlio Vargas. Oclima político é de grande tensão; - 2ª Guerra Mundial: Governo brasileiro identifica-se com regimes totalitários dos países do Eixo, porém depende economicamente dos EUA; - EUA é visto pelas camadas médias e burguesas como o ideal democrático; - Brasil finalmente se alia aos EUA na guerra. A partir daí, a influência americana penetra no Brasil; - Sérgio Milliet lecionava na Escola de Sociologia e Política e tinha contato com professores ingleses e norte-americanos que lá atuavam; - Como professor, Milliet entra em contato com representantes americanos interessados na política de aproximação entre os países do continente – a chamada política de boa vizinhança; - 1942: Visita de Dr. David Stevens, diretor da Divisão de Humanidades da Fundação Rockefeller, que faz uma doação à Escola de Sociologia e Política; - Milliet também é colega de Caleton Sprague Smith, adido cultural do Consulado Americano, que vai ajudar nas negociações com o projeto Rockefeller (posteriormente, a Fundação Rockefeller vai apoiar a criação do MAM); - Em 1943, Milliet vai aos EUA e publica “A Pintura Norte-Americana”. Faz conferências em diversas cidades sobre sua viagem

            Segunda parte: dedicou-se a algumas considerações gerais sobre o texto: - A motivação para ele ter se debruçado sobre o tema pode resultar do fato de ele ter se entusiasmado com a arte moderna norte-americana ; - Milliet deve ter visto nos EUA soluções interessantes encontradas pelos americanos para manter o desenvolvimento da arte moderna. No final do texto, ele vai mencionar que nos EUA existia um incentivo por parte do governo para os artistas. Uma parcela das verbas para construção de prédios públicos tinha de ser gasta obrigatoriamente com obras de arte. Assim, a população foi educada a apreciar as obras modernistas; - Apesar de ele ter viajado para os EUA, ele faz uma ressalva de que conhece a maioria das obras que cita apenas por reproduções, algumas coloridas e outras em preto e branco. “Mas a frequentação dos museus europeus e a convivência com a pintura de todas as épocas suprem, até certo ponto, essa falha”; - Ao longo do texto, Milliet demonstra valorizar manifestações genuinamente americanas, não apenas cópias do que se fazia na Europa; - Em um primeiro momento, ele descreve a influência inglesa e holandesa na pintura feita nos EUA. Em seguida, a influência alemã, a francesa e, por fim, a mexicana; - Nesse contexto, ele destaca alguns pintores responsáveis por rupturas ao longo desta história, que levam a arte norte-americana a um patamar cada vez mais independente das influências europeias.

            Terceira parte: comenta sobre o fato de que a colonização inglesa não incentivou a promoção de arte, no primeiro momento; - Primeiros colonos não tinham preocupações com arte. Os povos nativos não tinham raízes estéticas profundas; - Comparação com o Canadá, que recebeu colonização francesa. Lá houve permuta de traços culturais com os índios, o que permitiu maior originalidade da arte; - Enquanto no México, existe uma influência do meio e da técnica local, nos EUA, “a pureza da raça branca afasta qualquer concessão degradante ao gosto índio e negro”; - Primeiro pintor conhecido: Jacques Le Moyne. Exigia-se o pitoresco, o fabuloso; - John Singleton Copley: verdadeiro iniciador da pintura norte-americana. Caracterizado por Milliet como sem talento, sem queda para o ofício. Porém, disciplinado e inteligente, começou a vender quadros em Londres por intermédio de Benjamin West.

            Quarta parte: indicação de alguns pintores considerados por Milliet como pintores de ruptura e apresentação de alguns de seus quadros; - Benjamin West: nasceu nos EUA, mas aos 20 anos, foi para Roma. Conquistou os mecenas ingleses, era amigo do rei George III. Inovou ao pintar a tela “A morte do General Wolfe perto de Quebec” com personagens vestidos a caráter; - John Wesley Jarvis: decadência da influência da pintura inglesa. Faz pesquisa da cor local americana (apesar de ter nascido na metrópole);- Asher Brown Durand: destacou-se pelos detalhes de suas árvores e rochedos. Um dos criadores da escola paisagista norte-americana; - George Caleb Binghan: importância na pintura da vida americana. Valor documental e artístico para os EUA como um Debret para nós; - Leutze: alemão que foi para os EUA na infância. Isham considera que ele marca o auge da influência alemã, mas também apresenta sinais de uma nova orientação pictórica, com influência francesa; - Wislow Homer: inautura expressão própria, traz romantismo revolucionário, força panteísta do homem novo em comunhão com a natureza. Individualista decidido. Pintor instintivo em revolta contra o racionalismo gelado dos acadêmicos

            Quinta parte: Armory Show (1913) e Semana de Arte Moderna (1922): - Mesma importância de marco divisor da Semana de Arte Moderna. Mostra anárquica pela multiplicidade das escolas trazidas a público. O público teve um sentimento irreprimível de revolta; - A pesquisadora Eliana Porto Calçada Bastos aponta semelhanças comprovam serem manifestações de um mesmo fenômeno, mas algumas cruciais diferenças atestam a individualidade e o caráter particular da cultura onde surgem; - Tinham a intenção de produzir uma arte que fosse, a uma só vez, a expressão do momento em que se vivia e a reiteração de valores nacionais próprios; - Enquanto a Semana de Arte Moderna tem parentesco com as noites futuristas do movimento italiano, o Armory Show tinha a seriedade e a circunspecção da Sonderbund, exposição realizada em Colônia, Alemanha, no ano anterior; - Mexicanos Rivera, Orosco e Siqueiros influem de maneira decisiva na libertação da arte norte-americana; - A princípio, público leigo não se entusiasma. Incentivo do governo vai ajudar a educar a população quanto a isso

            Sexta parte: Artistas Modernos: Robert Henri: um dos líderes do Armory Show; Max Weber: matéria preocupa tanto quanto a composição. Duro, sensual, forte e volumoso; Grant Wood: mais estilizado e mais brilhante, muito decorativo e alegre, joga com linhas curvas, valoriza os segundos planos, nitidez para muitos desagradável. Luz limpa demais; Edward Hopper: agrada pela sobriedade da composição e limpeza do colorido; Leon Kroll: influenciado por Grant Wood, retoma com felicidade o assunto rural

            Discussão: A professora Ana observou que a influência norte-americana já estava penetrando no país antes de o Brasil aliar-se aos EUA na guerra. Milliet também já tinha tido contato com obras americanas antes de sua viagem aos EUA. Ele havia visitado uma exposição com artistas americanos no Rio de Janeiro no ano anterior à sua viagem. Ela lembra também que Milliet faz uma distinção entre a influência inglesa e alemã na pintura, que carregam restrições provenientes da religião protestante, e a influência francesa, que é livre dessas restrições. Dessa forma, Milliet valoriza a influência francesa e encara a influência alemã e inglesa como negativas.

            Referências do seminário:

            BASTOS, Eliana Porto Calçada. Um estudo comparado: a Semana de Arte Moderna de 1922 e o Armory Show de 1913. 1987. Dissertação (Mestrado em Artes) – Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1987.

            FLEXNER, James Thomas. Pequena história da pintura norte americana. São Paulo: Martins, 1963.

            GONÇALVES, Lisbeth Rebollo. Sérgio Milliet, crítico de arte. São Paulo: Perspectiva/EDUSP, 1992 (Coleção Estudos; 132).

            MILLIET, Sérgio. A Pintura Norte-Americana. São Paulo: Martins Fontes, 1943.

            SANTANA, Naum Simão de. O crítico e o trágico: a morte da arte moderna em Sérgio Milliet. Tese (Doutorado em Artes Visuais) – Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009.

            Sites:

            Whitney Museum of American Art. Reproduções virtuais de obras de Edward Hopper. Disponível em: < http://whitney.org/Collection/EdwardHopper/> Acesso em: 22 abr. 2012.

            The Art Institute of Chicago. Reproduções virtuais de obras de Grant Wood. Disponível em: < http://www.artic.edu/aic/collections/artwork/artist/774> Acesso em: 22 abr. 2012.

            Wikimedia Commons. Reproduções virtuais de obras de Leon Kroll. Disponível em: < http://en.wikipedia.org/wiki/File:In_the_Country_by_Leon_Kroll.jpg> Acesso em: 22 abr. 2012

            Sugestões de Leituras:

            SARFATTI, Margherita. Storia della Pittura Moderna. Milão: Cremonese, 1930.

            WÖLFFLIN, Heinrich. A Arte Clássica. São Paulo: Martins Fontes, 1990.

            MARGOZZI, Mariastella. Palma Bucarelli - Il Museo come avanguardia. Milão: Electa, 2009.

            Maria Alice Milliet (org.). cat. exp. "Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti: Mito e Realidade no Modernismo Brasileiro". São Paulo: MAM, 2002.

            Sugestões de visita à exposições:

            “Modernismos no Brasil” no MAC USP Ibirapuera. Ver: “Estalagem” de Rosai e “Pescadores” de Sironi.

            “De Chirico: o sentimento da arquitetura” no Masp.

          • AULA VIII - 08.05

            Assuntos Discutidos:
            - O grupo visitou o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB)- COLEÇÃO MÁRIO DE ANDRADE - para ver e discutir as seguintes obras:

            1) Luis Caetano Martins (1907-1981) “Mário de Andrade examinando um quadro”” (s.d.); 2- Zina Aita (1900-1967), ““Retrato de Mário de Andrade”” (1923); 3- Tarsila do Amaral (1886-1973), “”Esboço para a Negra”” (1923); 4- Tarsila do Amaral, ““Auto-retrato”” (1922); 5- Tarsila do Amaral, “”Retrato de Mário de Andrade”” (1922); 6- Anita Malfatti (1889-1964), “”Retrato de Mário de Andrade”” (1922); 7- Hugo Adami (1900-1999), ““Cebolas”” (1926 c.).
            - no geral, com base em todas as obras, foram discutidos os contextos em que as obras foram produzidas e as linguagens plásticas empregadas em cada um delas;

            - A partir da obra de Luis Caetano Martins foi comentada a caricatura como instrumento de se comentar a prática da crítica de arte; a importância da caricatura e como evoluiu no contexto do modernismo no Brasil;

            - a partir do retrato feito por Zina Aita, comentou-se brevemente a formação da artista, e como era ela vista dentro do movimento modernista por Mário de Andrade e Sérgio Milliet. Sobre a obra, foi discutida: a referência que fez à SP dos anos 20; a técnica empregada; a referência da linguagem do Art Nouveau; a forma como Mário foi retratado;

            - No “Esboço para a Negra”, foram comentadas as diferenças para a versão final e a do outro estudo; seus principais elementos e as influências da artista para chegar àquela solução;

            - os outros dois retratos de Mário de Andrade feitos por Tarsila e Anita foram analisados a partir de sua observação em conjunto com o “Auto-retrato” de Tarsila. Com isso, foram discutidas: as soluções plásticas utilizadas; a relação estreita entre as linguagens e paleta dos dois retratos de Mário; o fato de Mário ser retratado pelos artistas com o intuito de ir mapeando a produção dos artistas modernos e lhes servir como suporte/ modelo, ou seja, sua prática como crítico de arte caminha lado-a-lado com a coleção que ele forma e nesse sentido, as obras servindo como a comprovação das teses que Mário defendia; a questão das assinaturas nas obras e sua importância; formação de Tarsila no exterior; crítica de Monteiro Lobato à exposição de Anita em 1917 e a importância de Lobato como crítico de arte; e os movimentos estavam acontecendo no fora do país no momento em que as obras foram pintadas, como o surrealismo;

            - A obra de Hugo Adami, ““Cebolas”” foi debatida a partir de outro ponto de vista, pois dialoga com as soluções propostas pelo programa de Margherita Sarfatti, o Novecento Italiano. Comentou-se também que: Hugo Adami expôs na primeira exposição com o grupo uma obra que também tinha o mesmo tema, e com isso, falou-se da possibilidade de que Mário tenha justamente escolhido uma obra com esse perfil para figurar em seu acervo; Mário de Andrade recebia informações sobre o meio artístico italiano; importância da mostra de Arte Degenerada em 1937; relação arte x política; Casorati, Tosi eram artistas cujas linguagens de algumas de suas naturezas-mortas estavam em diálogo com a da obra de Adami; defesa desse tipo de linguagem plástica por Milliet e Mário (linguagem de caráter mais figurativo que é compreendida pelo público e a questão do “artista-operário”); foi discutida a desvalorização desse tipo de linguagem plástica pois muitas vezes hoje é vista como retrocesso, ou pura imitação, mas na verdade, são obras que nunca poderiam ter sido feitas fora de seu contexto;

            - depois, o grupo visitou parte da exposição “Semana de 22” no IEB para ver as obras de Anita “A Estudante Russa”, “O Japonês”, “o Home Amarelo” e “O Grupo dos cinco”, e discutir sobre as soluções plásticas e contexto em que foram feitas.

            Referência bibliográfica:

            Marta Rossetti Batista. Coleção Mário de Andrade: Artes Plásticas. São Paulo: IEB-USP, 1998 (2a.Edição revista e ampliada).
            • AULA IX - 15.05

              Assuntos Discutidos:

              • 1ª Parte da Aula
              Seminário do texto “Da Pintura Moderna” In: Três Conferências. Rio de Janeiro: Ministério de Educação e Cultura, 1955. Apresentação: Mariana Zanetic.
              - foi apresentada a contextualização histórica e política no Brasil e no exterior (como a Guerra Fria), a posição e as atuações de Milliet precisamente naquele momento e os eventos artísticos que estavam em curso no país e fora (como o resgate das vanguardas históricas);
              - sobre o texto, que tratava da história da arte moderna, percebe-se que Milliet mudou o discurso com relação a essa produção e ao abstracionismo em relação aos textos que escreveu anos antes, analisados nas aulas anteriores; ele revê o impressionismo e outro ponto importante que toca é na questão da arte como propaganda política (debate propício e na ordem do dia); outro aspecto que permeia o texto é o papel do crítico de arte como avalizador de determinada linguagem plástica;
              - foram discutidos os seguintes pontos: relação de Milliet com Léon Degand no contexto da formação do MAM SP; diálogo com as proposições de Alfred Barr no livro Que é Arte Moderna?. São Paulo: MoMA/MAMSP, 1953 e com a sistematização proposta na exposição Cubism and Abstract Art realizada no MoMA no ano de 1936 (cartaz da exposição anexo); visão de Milliet acerca da função da fotografia; foi comentada a posição de alguns críticos na época e atualmente que afirmam que Milliet foi um crítico que ficou “em cima do muro”; crítico Romero Brest como “equivalente” de Milliet no caso Argentino e sua relação com Margherita Sarfatti; a atualização de Milliet no que diz respeito ao seu vocabulário crítico para escrever esse texto, no qual não falou mais de arte de síntese;
              • 2ª Parte da Aula
              - Introdução à crítica de Mário Pedrosa: foi comentada sua trajetória a partir de três períodos: anos 1920 a 1944 | anos 1940 a 1960 | entre meados da década de 1960 até sua morte (arquivo .ppt no corpo de texto desta aula); com foco em três projetos importantes empreendidos por ele: o Congresso da AICA cujo tema foi “Cidade Nova – Síntese das Artes” em 1959; o “Parecer sobre o Core da Cidade Universidade”, 1962-1963 (arquivo .pdf no corpo de texto desta aula); Projeto da criação do Museu da Solidariedade no Chile, 1971-1973;
              - foi discutido como Pedrosa se tornou crítico de arte, sua relação com o Partido Comunista e a construção da imagem que a crítica brasileira vem fazendo dele e de Milliet e suas respectivas atuações nos MAM SP e na Bienal SP.
            • AULA X - 22.05

              Assuntos discutidos:

              - 1ª parte da aula:

              - foi comentado os papéis exercidos por Mário de Andrade (ligação com semana de 22), Milliet (anos 30 e a Família Artística Paulista) e Pedrosa (defesa da arte abstrata de raiz concreta);
              - falou-se do contexto da exposição “do figurativismo ao abstracionismo” primeiramente em São Paulo e do debate gerado por ela no meio artístico (figura de forte oposição de Di Cavalcanti nesse momento), tendo em vista as conferências de Dégand, e depois o texto do catálogo da exposição; comentou-se também: o tipo de abstração era defendida por Dégand; quais as obras que efetivamente vieram para a exposição e quais linguagens plásticas eram valorizadas no país; e a escolha de Dégand como diretor artístico do museu e não Karl Nierendorf, que faleceu antes, mas com quem Francisco Matarazzo Sobrinho havia discutido e articulado anteriormente à abertura do museu;
              - depois, foi discutida a ida de “do figurativismo ao abstracionismo”para o Rio de Janeiro: quantidade maior de obras (empréstimos, inclusive de obras do MASP), debates e polêmicas gerados, local de exibição (não a sede do museu, mas no prédio da Sulamérica), caráter mais didático da mostra em comparação a exibição de SP e Pedrosa como o único crítico que de fato se colocou de maneira mais próxima aos argumentos de Dégand. Foi comentada essa exposição frente a outra, realizada na sequencia do encerramento desta, que foi “Exposição da Pintura Paulista”, uma exibição que parecia responder à anterior na medida que queria provar o que era o entendimento e a prática de arte moderna no Brasil naquele momento, cuja organização foi feita pela Galeria Domus;
              - foi discutido o papel de Rockefeller na função de presidente do MoMA e Secretário de Estado – a mistura entre as esferas pública e privada e como isso se dava no caso brasileiro;
              - histórico da criação do antigo MAM SP: primeiramente a criação da Galeria de Arte Moderna e depois a Fundação de Arte Moderna;
              - contexto de criação da Galeria Domus;
              - coleção Theon Spanudis: perfil dessa coleção e do próprio crítico de arte;
              - conceito do primitivismo e sua “evolução” ao longo das décadas: passando por um entendimento de instrumento de pesquisa no seio das vanguardas artísticas do inicio do século (experiências dos cubistas); relação com o naïf; significado aos surrealistas (produção de pacientes mentais); conotação de “arte degenerada” a partir da exposição de 1937 na Alemanha; associação com os valores pregados pela esquerda e portanto, negativo aos regimes totalitários e a nova dimensão que ganhou após os anos 1950 com a revalorização das vanguardas artísticas do inicio do século 19.

              Referências bibliográficas:

              CAT. EXP. Exposição de Pintura Paulista. Rio de Janeiro: Departamento de Imprensa Nacional, 1949.
              (anexo no corpo email da aula)
              DÉGAND, Leon. (org.). CAT. EXP. Do Figurativismo ao Abstracionismo. São Paulo: MAMSP, 1949.
              MAGALHÃES, Ana. “O debate crítico na exposição do Ed. Sulamérica, Rio de Janeiro, 1949”. In. XXIX Colóquio do Comitê Brasileiro de História da Arte. Anais...Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo, 2009. Disponível em http://www.cbha.art.br/coloquios/2009/anais/pdfs/anais_coloquio_2009.pdf , pp. 120-128.
              SILVA, José Armando Pereira. “Exposição de Pintura Paulista no Rio – 1949”. In. Jornal da ABCA, São Paulo, nº 21, pp. 20-21, Setembro 2009. (anexo no corpo email da aula)
              - 2ª parte da aula:

              Seminário do texto “Semana de Arte Moderna” (1952) In: Acadêmicos e Modernos (vol. 3), pp. 135-152. Apresentado por Aryane Cararo.
              - Foi apresentado um parâmetro político e artístico do momento em que o texto foi escrito por Pedrosa e seu objetivo inicial de fazer um balanço de 30 anos da semana de arte moderna;
              - Foi comentado também que os anos 1950 foram um período de revalorização das vanguardas artísticas do inicio do século 19;
              - Foi introduzido um apanhado histórico de Pedrosa como crítico de arte e a publicação de “Panorama da Pintura Moderna” por ele no mesmo ano;
              - discutiu-se em que medida as ideias de Mário de Andrade apresentadas em seu texto de 1942, “O Movimento Modernista”, que mesmo com um hiato de 10 anos, pautavam ainda as propostas de Pedrosa neste texto e o quanto divergiam, sobretudo no que diz respeito ao Movimento Antropofágico e a Pintura Pau Brasil, e a questão da contaminação dos artistas modernistas não por meio da literatura inicialmente, mas a partir do contato com as obras;
              - a relação e a influência do pensamento de Nise Silveira e Almir Mavignier na formação da crítica de Pedrosa;
              - questão do primitivismo como origem, e nesse sentido a relação estreita de Pedrosa com os surrealistas;
              - o problema da defesa de Di Cavalcanti por Pedrosa, uma vez que isso seguia na contramão das crenças do próprio Pedrosa, que estava em linha com as tendências abstratas (de raiz concreta e não lírica ou a expressionista abstrata Norte-americana).
            • AULA XI - 29.05

              1ª parte da aula:

              Foram discutidos os seguintes assuntos:

              a diferenciação que se fazia nos anos de criação do antigo MAM SP e MAM RJ entre a esfera pública e a privada, e em que medida o modelo norte-americano de gestão e colecionismo foi adotado no caso brasileiro; relação com o modelo italiano que misturava as duas esferas; papel das aquisições do antigo MAM SP junto às Bienais; modo de catalogação e exibição de obras pela Bienal de Veneza, Bienal de SP; MAM SP e MoMA de NY; modelo da Bienal de Veneza em grande medida incorporado pela Bienal de SP; relação de Rockefeller com o meio artístico paulista e o carioca e sua influência na formação dos museus de arte moderna; diferença de perfil entre os acervos do MAM RJ e do MAM SP; as obras de jovens artistas americanos que foram doadas e adquiridas para o acervo do antigo MAM SP e que não representam o expressionismo abstrato, que era tendência nos EUA nos anos 1950; a importância das obras em papel no acervo do antigo MAM SP, que somam um total de 2/3 da coleção, que é algo não aleatório ou feito em função de preços mais baixos; a escolha de determinados artistas para construção de uma narrativa de história da arte no exterior e no Brasil.

              Foram vistas as seguintes gravuras de artistas que acabaram, de certa forma, caindo no esquecimento em detrimento dessa construção de narrativa da história da arte, sendo:

              - Stanley William Hayter, “Tarantela”, 1943: breve trajetória do artista; vinculação dessa sua gravura com ambiente surrealista dos anos 1930; emprego de técnica mista; o fato do MoMA possuir uma gravura igual a esta; a relação com o ambiente italiano; a lembrança do trabalho de Samson Flexor;

              - Minna Citron, “Marina”, 1948: breve trajetória da artista; a sua mostra no Brasil passando por Caracas; a presença de uma gravura igual na National Gallery de Washington; a existência dessa e mais duas gravuras da artista no acervo do antigo MAM SP;

              - Jacob Laurence, “A Aula”, 1946: breve trajetória do artista e a inclusão de suas obras no MoMA; questão social e a temática da questão negra presente em sua obra; a técnica empregada para realizá-la em contraposição às suas obras semelhantes que estão hoje no MoMA;

              2ª parte da aula:

              Apresentação de Seminário “As tendências sociais da arte e Käthe Kollwitz” (1933) In: Política das Artes (vol. 1), pp. 35-56, por Edmilson Quirino

              Pontos levantados:

              o contexto histórico em 1933 no Brasil e no exterior; a inserção de Mário Pedrosa na crítica de arte justamente por meio desse texto; a escolha de Käthe Kollwitz para tal e o momento artístico escolhido pelo crítico no âmbito da produção da artista, para comprovar suas teses de que a artista faz uma arte de tema social, mas de caráter universal; breve trajetória da artista, sua formação artística e política e sua recepção no Brasil tendo em vista a exposição dela no Rio e a sua defesa por Pedrosa no ano de 1933; críticos que eram referência para Pedrosa naquele momento (Arnold Hauser, John Ruskin), e o porquê de serem eles as suas escolhas; as referências de Pedrosa possuem um lastro político; quando o crítico associa a produção de Käthe Kollwitz ao expressionismo, ele está pensando muito mais na relação dela com o expressionismo de Segall do que efetivamente com o expressionismo alemão.


            • AULA XII - 05.06

              1ª parte da aula:

              Foram discutidos os seguintes assuntos:

              - formação da Bienal de SP e a questão dos prêmios de aquisição e de regulamentação e suas relações com a construção de um perfil para o acervo do antigo MAM SP (e depois acervo MAC USP), não tão centrado em grandes nomes; o debate da primeira Bienal não estar direcionado apenas para os concretistas, como muitas vezes se afirmou; relação da Bienal de SP com a Bienal de Veneza e a Documenta de Kassel no âmbito da revalorização das vanguardas históricas, e também de eventos que são retratos de seu tempo; as escolhas dos prêmios das Bienais de SP passaram tanto por questões diplomáticas quanto pela legitimação de jovens artistas; a relação estreita com os Estados Unidos, mas isso não está espelhado nas obras, visto que não há no acervo artistas do expressionismo abstrato (ou tachistas), embora tenha havido uma grande representação de Pollock na 4ª Bienal; questão da relação do Brasil com a União Panamericana e a falta também de artistas latino-americanos no acervo via premiação; importância dos artistas primitivistas na década de 1950 (como José Antonio da Silva); a diferença do espaço expositivo dos pavilhões da Bienal de Veneza e da Bienal de SP e como isso interfere na curadoria e na fruição das obras; foram apresentadas imagens da 1ª à 6ª Bienal de SP;

              - a direção de Walter Zanini no MAC USP e sua proposta de atualização do acervo;

              - a relação entre os perfis do antigo MAM SP e do MASP e a complementaridade entre eles no sentido de uma narração da história da arte, e a atuação de Bardi também no conselho do antigo MAM SP;

              - o fato do acervo do MAC USP não contemplar obras que preencham a grande narrativa de história da arte que se trabalha geralmente, trata-se de um outro recorte, o qual representa o que se entendia como arte moderna naquele momento;

              2ª parte da aula:

              Seminário do texto “Panorama da Pintura Moderna” (1951) In: Modernidade Cá e Lá (vol. 4), pp. 137-176. Apresentado por Polyana Lopes.

              Foram discutidos os pontos principais do texto:

              a forma como Pedrosa narra o percurso da história da arte desdo o impressionismo à abstração; críticos com os quais ele dialogava como Alfred Barr, Maurice Raynal, Wilhelm Worringer, Gino Severini, Paul Guillaume e Thomas Munro, entre outros; a importância e valorização da arte primitiva no seio das vanguardas e a relação que isso tinha para Pedrosa, passando por sua relação com o surrealismo; contexto brasileiro e internacional em que esse texto foi escrito e a revalorização das vanguardas históricas justamente nesse período (a revalorização do impressionismo por Lionello Venturi e John Rewald); a questão da internacionalização da arte; em que medida o acervo do MASP responde às teses que Pedrosa apresenta neste texto; diferença de postura de Pedrosa e Milliet no que diz respeito a arte de transição daquele momento, pois o primeiro a via como algo obrigatório de “passagem”, e o segundo de forma negativa, em oposição ao clímax.

              • AULA XIII - 12.06


                1ª parte da aula
                Foram retomados os pontos principais que nortearam as discussões a partir dos textos de Mário Pedrosa, Sérgio Milliet e Mário de Andrade, sendo:

                1) Academismo X Modernismo – polarização entre Rio de Janeiro e São Paulo;

                2) Noção de arte nacional;

                3) Pintura social e a noção de Realismo;

                4) Figuração X Abstração;

                5) Formação do público de arte moderna e papel das instituições artísticas;

                Nesse sentido foram relembrados os seguintes pontos:
                as posições diferentes de Pedrosa e Milliet no que diz respeito à abstração; a produção de obras no Brasil que seguiam mais a tendência abstrata de origem italiana do que norte-americana; o quanto a construção de um discurso de história da arte serve de instrumento ideológico para os países; a tendência abstrata norte-americana negando as tendências russas no contexto da Guerra Fria; a redenção das vanguardas históricas do inicio do século XX a partir do pós Segunda Guerra Mundial, depois de terem sido condenadas pelos regimes totalitários; em que medida a elite brasileira se relacionou com o fascismo e como isso ressoava no país; a relação do movimento surrealista francês com o partido comunista francês; a experiência de Pedrosa na Alemanha (ainda por ser melhor investigada pela historiografia – as possíveis relações que estabeleceu lá com os artistas e as proposições da Bauhaus); a questão do quanto a narrativa de história da arte no Brasil sempre aponta primeiramente a influência parisiense e depois norte americana, mas o fato é que o país foi impactado por outros ambientes (como é o caso do italiano); o papel das Bienais como instrumentos diplomáticos no contexto da Guerra Fria; e a relação do ambiente artístico brasileiro com o da América Latina, que se estreitou mais recentemente.

                2ª parte da aula

                Seminário do texto “Da Abstração à Figuração” (1951-1958) In: Modernidade Cá e Lá (vol. 4), pp. 177-230 – apresentação Alex Gomes.

                A apresentação se deu em três partes: contexto nacional e internacional do momento em que o texto foi escrito (anos 1950); produção de Pedrosa (anos 1950); discussão sobre os textos, publicados entre 1951 e 1958 em jornais do Brasil (estes, escolhidos por Otília Arantes para figurarem na coletânea).

                Foram colocados os seguintes pontos principais:

                Pedrosa discorreu nesses textos sobre várias tendências artísticas que não somente a concretista, embora sua preferência por essa esteja clara; para o crítico essa corrente expressaria o que seria uma arte universal, ou seja, apresentasse formas universais e atemporais; a divergência de opiniões entre Pedrosa e Theon Spanudis no que concerne o significado dessa tendência abstrata (eles vêm de formações diferentes, mas falam dos mesmos artistas e obras para construir suas teses); é importante apontar nos textos, que Pedrosa desdobra a discussão da abstração para a questão do primitivismo, que não é o da arte negra resgatada pelos artistas de vanguarda no início do século XX, mas o da arte desenvolvida por pacientes com problemas mentais, ou autodidatas (a exemplo de José Antonio da Silva), ou o que Jean Dubuffet chamaria de “Arte Bruta”.

                consideração: a Profª. Ana chamou atenção que na leitura dos textos, é preciso refletir a respeito das imagens que os acompanham, pois muitas vezes elas foram selecionadas pelo autor que fez o recorte para a publicação da coletânea e não pelo autor do próprio texto.

                referência bibliográfica indicada:

                "A Arte da exposição" In: Sobre as Ruínas do Museu. São Paulo: Martins
                Fontes, 2005, pp.207-248.

                • AULA XIV - 19.06

                  - Comentários e esclarecimentos a respeito da preparação das resenhas críticas.

                  (entrega do documento impresso para Sara ou Mônica em 1º de Agosto);

                  - Encerramento da disciplina.

                  e-Disciplinas - Ambiente de apoio às disciplinas da USP