Programação

  • Tópico 1

    Referências bibliográficas

    [os títulos com destaque são essenciais para o curso]

    BERRY, Wallace. Structural functions in music. New York: Dover, 1987.

    CAPLIN, William. Classical form: a Theory of Formal Functions for the Instrumental Music of Haydn, Mozart, and Beethoven. New York: Oxford University Press, 1998.

    COLE, M. S. Techniques of surprise in the Sonata-Rondos of Beethoven. In: Studia Musicologica Academiae Scientiarum hungaricae. T. 12, Fasc. 1/4, pp. 233-262, 1970.

    COOK, Nicholas. A guide to musical analysis. London: Norton, 1992.

    DAVIE, Cedric T. Musical structure and design. New York: Dover, 1966.

    D’INDY, Vincent. Cours de Composition Musicale. Deuxième Libre – Premier Partie. Ed. Auguste Sérieyx. Paris: Durand, 1909.

    HEPOKOSKI, James e DARCY, Warren. Elements of Sonata Theory: Norms, Types, and Deformations in the Late-Eighteenth-Century Sonata. New York: Oxford University Press, 2006.

    IRVING, John. Mozart’s piano sonatas: contexts, sources, styles. Cambridge: Cambridge University Press, 1997.

    LARUE, Jan. Guidelines for Style Analysis. Michigan: Harmony Park Press, 1992.

    PANKHURST, Tom. Schenker Guide: A Brief Handbook and Website for Schenkerian Analysis. New York and London: Routledge, 2008.

    RETI, Rudolph. The Thematic Process in Music. New York: MacMillan, 1978.

    ROSEN, Charles. The classical style: Haydn, Mozart, Beethoven. New York e London: Norton, 1997.

    ROSEN, Charles. Sonata forms. New York: Norton, 1988.

    SALLES, Paulo de Tarso. Teoria dos conjuntos: apontamentos. São Paulo: apostila, 2016. Disponível em: https://usp-br.academia.edu/PaulodeTarsoSalles/Analytics#/activity/documents?_k=bsl08i .

    SALLES, Paulo de Tarso. "Teoria musical: analisando estrutura, estilo e contexto". In: NOGUEIRA, Ilza (org.). O pensamento musical criativo: teoria, análise e os desafios interpretativos da atualidade. Salvador: Congresso TeMA, UFBA, pp. 176-190, 2015. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/0B25FEDImmu_uX1daSzdzeDF1dDQ/view 

    SALLES, Paulo de Tarso. Villa-Lobos: processos composicionais. Campinas: Editora Unicamp, 2009.

    SALLES, Paulo de Tarso. “Momentos I (1974) para violão de Marlos Nobre: síntese e contraste”. In: Per Musi, v. 7, Belo Horizonte: UFMG, 2003, pp. 37-51. Disponível em:  http://www.musica.ufmg.br/permusi/port/numeros/07/resumo3.html

    SALZER, Felix. Structural hearing: tonal coherence in music. New York: Dover, 1962.

    SCHENKER, Heinrich. Five graphic music analyses. 2nd ed. New York: Dover, 2012.

    SCHOENBERG, Arnold. Fundamentos da composição musical [1937-48]. São Paulo: EDUSP, 1993.

    STOÏANOVA, Ivanka. Manuel d’analyse musicale: variations, sonate, formes cycliques. Paris: Minerve, 2000.

    STRAUS, Joseph N. Introdução à teoria pós-tonal. São Paulo: Editora Unesp/Salvador: EDUFBA, 2013.

    VANDE MOORTELE, Steven. Two-Dimensional Sonata Form. Leuven (BEL): Leuven University Press, 2009.

    WEBERN, Anton. O caminho para a música nova. São Paulo: Novas Metas, 1984.

    WHEELDON, Marianne. “Debussy and La Sonate Cyclique.” The Journal of Musicology, 22 (4), pp. 644-70, 2005.

    WHEELDON, Marianne. “The String Quartets of Debussy and Ravel.” In: JONES, Evan (ed.) Intimate voices: The Twentieth-Century String Quartet: volume 1, Debussy to Villa-Lobos. Rochester: University of Rochester Press, pp. 3-26, 2009.

    WILSON, Paul. The Music of Béla Bartók. New Haven and London: Yale University Press, 1992.

    • Tópico 2

      AVALIAÇÃO:

      1.     Trabalho individual: análise de um movimento de obra em forma sonata (livre escolha entre obras nos estilos clássico, romântico e moderno). O trabalho deve ter de 3 a 8 páginas em formato “doc” ou “docx”, compatíveis com o software WORD. Entrega em 01 de Novembro de 2016.

      2.     Trabalho em grupo (de 3 a 5 pessoas): análise de obra cíclica em formato de seminário. Apresentações dias 1, 8 e 22 de Novembro de 2016.

      3.     Frequência: observar o limite de faltas estabelecido pelo Regimento Interno da USP.

      Sugestões para o Trabalho individual

      Capa, contendo: nome do aluno, nome da disciplina e professor, nome da instituição (CMU-ECA/USP), título da obra analisada e nome do compositor, local e data.

      Organização da análise (lembrar que a forma sonata em larga escala é essencial):

      ·       Exposição: indicar e identificar os grupos temáticos, designar os temas e transições entre eles. Se houver introdução, investigar as relações tonais e temáticas com a Exposição. Indicar os temas com suas funções harmônicas de início e final, bem como a numeração de compasso. Se a obra não for tonal, investigar o tipo de organização harmônica (série, intervalos, modo).

      ·       Transições: especificar o tipo de modulação e como foi alcançada a tonalidade-alvo, com redução harmônica ou análise gráfica. Comentar a respeito das mudanças rítmicas, temáticas e texturais.

      ·       Desenvolvimento: indicar os temas usados (em relação à Exposição e também se houver ocorrência de novos temas) e as tonalidades que foram sugeridas. Comentar a respeito das mudanças rítmicas, temáticas e texturais.

      ·       Recapitulação: indicar os temas e comentar a readequação da tonalidade no 2º grupo temático. No caso de obras não tonais, especificar a estratégia usada para “recapitular”.

      ·       Indicar todas as referências bibliográficas (inclusive sites) consultadas.


      • Tópico 3

        Estrutura do curso:

        1) Princípios de análise linear (Schenker)

        2) Princípios de análise motívica (Reti e Schoenberg)

        3) A técnica de "variação progressiva" [developing variation] de Schoenberg.

        4) As grandes formas (D'Indy, Caplin, Schoenberg, Rosen, Hepokoski/Darcy, Vande Moortele)

        • Sonata (Allegro, Concerto) no classicismo e romantismo
        • Rondó sonata
        • Forma cíclica

        5) Fundamentos da teoria dos conjuntos (Salles e Straus)

        6) Sonata no século XX (Rosen e Salles)

        A correlação entre "forma" e "estrutura tonal" será abordada de acordo com dois paradigmas distintos: a) tonalidade clássica; b) pós-tonalidade no século XX.

        Mozart: Sonata K332, Fá maior: https://www.youtube.com/watch?v=huDgXpRjlTA 

        Tom Pankhurst: website Schenker Guide: http://www.schenkerguide.com 

      • Tópico 4

        Na aula inicial o assunto da periodização das artes por estilo e a origem da musicologia foi mencionada. Na ocasião faltaram algumas referências, das quais não pude lembrar. Eis aqui algumas anotações que encontrei após aquela aula:

        Periodização das Artes

        A partir do verbete "Musicology" do Grove's Online:

        Tirado do item II, nº 1: Disciplinas de Musicologia - método histórico (Glenn Stanley; há vários autores para cada tópico específico).

        Os musicólogos alemães trabalhavam a ideia de Zeitgeist (baseados em Herder e Hegel), mas isso aparentemente levou à produção de biografias (como a de Bach por Spitta ou a de Handel por Crysander), não fornecendo um desenvolvimento orgânico com base no próprio material musical. A solução foi tomada de empréstimo das artes plásticas (Burkhardt e Wölfflin), uma periodização envolvendo o conceito de "estilo". A noção de estilo foi útil tanto para Riemann (sistemático) quanto para Adler (humanista).

        • Jacob Burkhardt (1818-97), historiador suíço, foi um dos idealizadores do campo de História da Cultura, oferecendo contribuição especial para a compreensão do Renascimento. Escreveu Die Cultur der Renaissance in Italien (1860).
        • Heinrich Wölfflin (1864-1945) foi aluno de Burkhardt na Universidade de Basel. Publicou livros como Renaissance und Barock (1888) e cunhou a expressão "maneirismo". Gombrich admite sua influência.

        O desenvolvimento da Musicologia Histórica se deu a partir da absorção do conceito de estilo. Vieram então livros em vários volumes como Oxford History of Music ou os livros dedicados a períodos como os de Reese e Bukofzer. Adler já manifestara em 1934 estar preocupado com a questão do estilo (no artigo "Style-criticism", traduzido para o inglês por Oliver Strunk). Apesar de sua maior flexibilidade, o conceito de estilo gerou um distanciamento entre a História Geral e a História da Música, especialmente quanto a significação social. Wilhelm Dilthey (1823-1911) reconheceu esse problema.


        • Tópico 5

          Pankhurst: Exercícios FG01 a FG05 (plano de frente)

          FG1

          Question One

          What is the key of this passage? D major 

          Question Two

          What are the first two elaborations in the right hand? The first is a arpeggiation, the second is a 4-prg

          Question Three

          What are the three elaborations in the right hand of the third full bar? The first is a  neighbor note, the second is a  neighbor note, the third is a arpeggiation 

          Question Four

          Of which type of elaboration is the D in the left hand of the second full bar a part? Nota de passagem.

           


          Eis as respostas do exercício 1. Questiono que G-F seja bordadura (c. 3)...

          FG2

          Question One

          What is the key of this passage?  E major

          Question Two

          In the first two crotchet beats of the left hand, name the elaboration in the UPPER voice.  neighbor note 

          Question Three

          In the first two crotchet beats of the left hand, name the elaboration in the LOWER voice?     arpeggiation 

          Question Four

          What combination of linear progressions best reflects the harmony in the left hand scale from D# in the fourth beat of the first bar to G# at the beginning of the second? A     3-prg  and a     3-prg. 

           


          FG3

          Analyse the foreground harmonies and elaborations of this extract from Beethoven's piano sonata op. 49 no. 2 in order to answer the following questions.

          Question One

          What is the key of this passage? G major

          Question Two

          What harmony is implied by the C and A at the end of the first bar? V7 

          Question Three

          Treating the leaps in the second bar of the left hand as unfoldings, what is the main elaboration that they decorate? 3-prg 

          Question Four

          Which of the following most accurately describes the last two crotchet beats of the right hand of bar four?     3-prg  

           


          FG4

          Analyse the foreground harmonies and elaborations of this extract from Mozart's KV 331 in order to answer the following questions.

          Question One

          What is the key of this passage? Bb major 

          Question Two

          Of what sort of elaboration is the first C in the right hand of the third full bar a part? neighbor note 

          Question Three

          What is the best description of the elaborations in the third full bar?  reaching over

          Question Four

          What is the harmony in the last beat of the first bar? VI

           


          FG5

          Analyse the foreground harmonies and elaborations of this Haydn trio (Hob. IX/11 No. 3) in order to answer the following questions.

          Question One

          What is the key of this passage?  G major

          Question Two

          What are the first two elaborations in the right hand? The first is a neighbor note and the second is a arpeggiation 

          Question Three

          What is the main harmony in the second full bar? V

          Question Four

          What is the main elaboration in the second full bar? 5-prg  

          Question Five

          Of what sort of elaboration is the D in the left hand of the third full bar a part?     arpeggiation 

           


          A única questão é que as soluções igualam bordadura e nota de passagem. 

          É interessante ler as definições oferecidas por Pankhurst no "Glossário".


          • Tópico 6

            As técnicas de análise schenkeriana não são o assunto principal deste curso, mas servirão como ferramenta para diversas situações analíticas, mesmo em obras do século XX. O livro de Paul Wilson (1992) sobre Bartók é um excelente exemplo de como a análise linear pode ser aplicada juntamente com a teoria dos conjuntos.

            O núcleo teórico irá se concentrar sobre a chamada "teoria da forma", mais especificamente na morfologia da chamada "sonata clássica", que é a base para estilos posteriores (a sonata no romantismo e no século XX). Consiste no entendimento da correlação entre áreas temáticas e tonais, transições, desenvolvimentos, recapitulações e terminações (codas). O livro de Hepokoski & Darcy será o embasamento terminológico principal, com auxílio dos trabalhos de Caplin, Davie e Rosen, entre outros. A forma cíclica pode ser melhor compreendida a partir do estudo de d'Indy, Wheeldon e Vande Moortele.

            https://www.youtube.com/watch?v=0kbBIBKprZE (Haydn, sonata Hob XVI/35)

            Sonata:

            • Forma (o Allegro de sonata), com estrutura específica.
            • O ciclo, geralmente em três ou quatro movimentos. O padrão mais geral é: 

              • I. Allegro (em forma de sonata)
              • II. Andante (em forma ABA, ou Tema com variações, ou forma sonata abreviada)
              • III. Scherzo (ou Minueto)
              • IV. Allegro (em forma de Rondó, ou Tema com variações)

            É comum haver a troca de posição entre Scherzo e Andante. Há casos mais raros em que todos os movimentos podem ser em forma sonata, o que é considerado como uma proposta mais ambiciosa do compositor, como nas sinfonias nº 36 ("Linz", em Dó maior, com exceção do minueto) e nº 38 ("Praga" em Ré maior) de Mozart.

            A forma sonata abreviada consiste na ausência ou redução significativa da seção de desenvolvimento. O II movimento da Sonata KV332 é um exemplo.

          • Tópico 7

            Caplin: sentença X período

            De acordo com Caplin (1998), sentença e período são ambos estruturados em oito compassos, divididos ao meio. A diferença entre eles é qualitativa: na sentença (Caplin, 1998:35-9) há uma segmentação onde após a apresentação da ideia básica segue-se uma "resposta", que implica em transposição e/ou variação; após a resposta vem uma continuação, com fragmentos de motivos usados na ideia básica. No período, a ideia básica é sucedida por outra ideia, contrastante. A soma de ambas é chamada de "antecedente", concluindo em semicadência ou cadência autêntica imperfeita (CAI); o "consequente" proporciona o ajuste tonal que leva a uma cadência autêntica perfeita (CAP).

            SONATA ABREVIADA

            A Abridged Sonata Form, que Davie aborda no capítulo VI, Variantes da Forma Sonata. É a forma sonata sem desenvolvimento (Caplin, 1998:216), frequentemente encontrada em movimentos lentos e também em aberturas de ópera. Exemplos:

            • Mozart
              • Adagio da K332 em Fá Maior
              • Sinfonia nº 34, II
              • Sinfonia nº 38 ("Praga"), II
              • Quarteto de Cordas KV 387, II
              • Abertura de As bodas de fígaro
            • Beethoven
              • Sonata Op. 31/2, II
              • Sonata Op. 2/1, II
              • Sonata Op. 10/1, II.
            • Rossini
              • Abertura do Barbeiro de Sevilha
              • Abertura de A gazza ladra.
              • Abertura de Semiramide.

          • Tópico 8

            Hepokoski & Darcy, 2006: tipologia das formas de sonata


            Sonata Tipo 1: forma "abreviada", sem desenvolvimento.

            Mozart, K332, II movimento, Adagio.

            • Comum em aberturas de ópera (Mozart, Rossini, etc.).


            Sonata Tipo 2: sonata monotemática

            • Haydn sonata para piano Hob:XVI-49, I - Allegro non troppo.
            • Monotematismo: maior importância para o tratamento motívico.
            • Haydn: Quarteto de Cordas Op. 33 nº6 em Ré maior, I - Vivace assai.


            Sonata Tipo 3: a sonata "normativa".

            • Mozart, K332 em Fá maior, Allegro, I movimento.
            • Comparação entre exposição e recapitulação: mapeamento e ajuste tonal.

            Beethoven, sonatas para piano: "normativo"?

            • Variantes na ordenação de seções, quantidade de temas e transições, ajustes tonais, etc.


            Sonata Tipo 4: rondó

            • Mozart, Concerto para piano e orquestra K466, III (Allegro assai).
            • Beethoven, Rondó Op. 51 em Dó maior para piano.


            Sonata Tipo 5: concerto

            • Mozart, Concerto para piano e orquestra K466, I (Allegro).
            • Beethoven, Concerto para violino em Ré maior, Op. 61, I - Allegro ma non troppo.

          • Tópico 9

            Alteração no cronograma:

            Setembro

            20

            Rondó sonata: as formas rondó

             

            27

            Sonata no Romantismo: forma cíclica

            Outubro

            04

            Quartetos de cordas: Franck, Debussy, Villa-Lobos


            Assim, em 20/09 iremos tratar do que Hepokoski e Darcy chamam "Tipo 4". Nos dias 27/09 e 04/10 iremos tratar da chamada "sonata bidimensional" ou "cíclica", a partir de conceitos de Vande Moortele e Wheeldon.

          • Tópico 10

            Obras do século XX que empregam estrutura de sonata:

            Bartók:

            • Música para cordas, percussão e celesta, II movimento. Além desse movimento, a obra apresenta características cíclicas, pois o tema da fuga (I mov.) é recorrente nos demais.
            • Sonata para dois pianos e percussão
            • Quartetos de cordas nº3 e nº4.
            Villa-Lobos

            • Sinfonia nº7
            • Quartetos de cordas nº6 a nº 17: os primeiros movimentos.

          e-Disciplinas - Ambiente de apoio às disciplinas da USP