Neste curso, estudaremos em detalhe os conceitos e o instrumental teórico utilizados pelas teorias de Caso e concordância de Bittner & Hale (1996a, 1996b) e de estrutura argumental de Hale & Keyser (1993, 1998, 2002) à luz de dados de línguas indígenas brasileiras. As teorias em questão têm muitos pontos em comum, entre os quais o objetivo de representar relações semânticas sintaticamente, e uma diferença crucial: a primeira se aplica no nível das cláusulas (Caso e concordância), enquanto a última se aplica no domínio dos itens lexicais (estrutura argumental). Uma das grandes vantagens de ambas as teorias é sua excelente adequação empírica a um vasto número de línguas. Outra, é o uso que elas fazem de noções presentes em modelos teóricos diversos (Teoria de Princípios e Parâmetros, Funcionalismo, Gramática Montague, etc.). Nosso objetivo no curso é discutir cada uma das teorias a fim de entende-las e problematizá-las. Uma das formas de se dar conta desta tarefa é aplicar as ferramentas introduzidas por cada teoria aos dados de línguas indígenas brasileiras, o que será feito nas aulas expositivas e nos trabalhos dos alunos. Uma outra forma de análise das teorias é discutir se os conceitos utilizados por elas vão de encontro a um modelo satisfatório de Gramática Universal. A comparação entre as teorias estudadas no curso e outras teorias que procuram explicar os mesmos fenômenos poderá ser um tema possível de trabalho dos alunos. O formato do curso será o seguinte: aulas expositivas, intercaladas a seminários e sessões de trabalho em grupo, onde as teorias serão aplicadas a dados de línguas indígenas. Cada estudante será responsável por apresentar um seminário durante o semestre, onde um aspecto específico de uma das teorias será discutido. Como as leituras estão todas em inglês, grupos de leitura serão organizados ao longo do semestre para garantir um aproveitamento mais homogêneo do material lido.

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