A disciplina propõe um exame abrangente dos debates filosóficos e estéticos sobre a autonomia da música, tendo como eixo central a obra de Eduard Hanslick e sua recepção. Partindo do ensaio Vom Musikalisch-Schönen (Do Belo Musical, 1854), o curso traça a genealogia intelectual do conceito de autonomia musical, de seus precursores kantianos às polêmicas da Neudeutsche Schule (Nova Escola Alemã), e acompanha sua recepção no campo da Filosofia Analítica da Música. Na segunda parte do curso, o debate se estende aos domínios da semiótica musical e da prática composicional, examinando como as questões de autonomia e expressão são reconfiguradas na música do século XX, com ênfase particular na obra de Heitor Villa-Lobos e na produção artística contemporânea. Espera-se que os alunos, ao final do curso, desenvolvam ferramentas críticas para o trabalho com fontes primárias do campo da filosofia e da musicologia, e que sejam capazes de situar os debates estéticos históricos em contextos artísticos e intelectuais mais amplos.