Curso dedicado à análise da poesia desenvolvida em Portugal entre os séculos XX e XXI, dando destaque a obras corriqueiramente caracterizadas como “difíceis”. Partiremos da hipótese de que a dificuldade de leitura pode ser decorrente da experiência de encontro com a perda dos contornos antropomórficos do eu na poesia lírica e que teria raízes nas modernas propostas de impessoalidade e alteridade defendidas por poetas como Arthur Rimbaud e Fernando Pessoa. Trabalharemos com obras que proponham figurações múltiplas e não-antropomórficas do sujeito poético e da figura do criador, com a análise dos impactos dessa multiplicidade na expressão da sensibilidade e na sua estrutura, bem como das potencialidades políticas desse desvio. Organizado em formato de oficina de leitura e análise de poemas e ensaios sobre poesia, o curso será um espaço para investigar como esses deslocamentos são articulados pela poesia portuguesa moderna e contemporânea, perceber seu lastro em certa tradição literária e artística e mostrar como, ao serem reconhecidos, podem conduzir a uma outra experiência com o sensível. Cada encontro terá como objetos de trabalho um poema e um ensaio do poeta-tema do dia e será conduzido por uma dupla de estudantes. Ao seguir as propostas apresentadas por esses autores, indagaremos: o que acontece com a dificuldade de leitura se encararmos o poema como um polvo, uma aranha, um pinheiro ou uma máquina?