Esta disciplina revisita o percurso do conceito de pânico moral como ferramenta de análise sociológica. Como ponto de partida, entende-se por pânicos morais episódios de intensa mobilização social diante de ameaças (reais ou percebidas) dirigidas a valores considerados centrais para a ordem moral de uma sociedade. Tais processos costumam ser alimentados por sentimentos de medo, indignação, ódio, ressentimento e outras formas de ansiedade social, frequentemente amplificados de maneira sensacionalista pelos meios de comunicação e por diferentes atores políticos e institucionais. Nesse contexto, ganham destaque representações estereotipadas que contrapõem o "bem" e o "mal", frequentemente articuladas por "cruzadas morais" que demandam o endurecimento de mecanismos de controle social, vigilância e punição, com o objetivo de eliminar a ameaça e restaurar determinadas expectativas de ordem social. A partir de uma retomada do percurso teórico do conceito, desde suas formulações clássicas até seus desdobramentos contemporâneos, a disciplina busca discutir suas potencialidades e limites para a interpretação de fenômenos atuais, tais como as disputas em torno da legitimidade democrática, os desafios à consolidação dos Direitos Humanos, a expansão de movimentos de extrema direita, a criminalização de grupos sociais e as formas pelas quais discursos sobre risco, medo e insegurança são mobilizados no debate público.
- Docente: Gustavo Lucas Higa
- Docente: Marcos Cesar Alvarez