Esta disciplina de PG tem por objetivo apresentar um estudo de caso do Elogio da Loucura, a fim de reconstituir, a partir dele, uma teoria do riso imanente em Erasmo de Rotterdam. E, ao mesmo tempo, apresentar e analisar toda uma conceituação do riso em Erasmo, não apenas quanto às condições que podem produzi-lo, mas também com respeito à sua aplicabilidade e utilidade em seu projeto didático e humanístico. Para isso, estudaremos profundamente a carta/prefácio do autor a Thomas More e uma carta a Marteen van Dorp, em que Erasmo, ao se justificar por ter escrito uma sátira, explica mais didaticamente o que pretendia com o emprego do cômico, apresentando, assim, vários argumentos em favor do tratamento satírico de todos os tipos de tema, inclusive religiosos. Veremos assim como Erasmo, que concebeu todo um projeto educacional, tinha um objetivo não apenas pedagógico como também moralizante e até mesmo teológico ao empregar o prazer do riso como uma espécie de isca com que atrair e capturar o leitor. Essa discussão envolve ainda toda a questão do uso e da imitação dos modelos, dos limites dos gêneros e da contaminação entre eles etc. Por conseguinte, esta leitura nos permitirá abordar diversos aspectos da produção letrada das primeiras décadas do século XVI, época em que a então recente invenção da prensa de tipos móveis por Gutenberg possibilitava a circulação de textos em volume e quantidade como nunca antes na história.
Estudaremos ainda elementos dos vários gêneros literários que se encontram e se mesclam no livro O Elogio da Loucura: discurso epidítico; elogio paradoxal; declamação; sátira; sátira menipeia; paródia; comédia etc e analisaremos então como Erasmo recupera, assimila e funde esses gêneros marginais ou subsidiários para utilizá-los como sermão; contemptus mundi; e espelho de príncipes, procurando responder à antiga pergunta sobre a classificação do Elogio.
- Docente: Elaine Cristine Sartorelli