O curso analisa a relação entre trabalho, acumulação de capital e opressão racial a partir da tradição marxista negra. Parte da reconstrução dos conceitos de alienação e expropriação em Karl Marx para fundamentar um diálogo com o marxismo negro e enfrentar uma questão central da sociologia do trabalho contemporânea: a articulação entre acumulação e racismo é estruturalmente necessária ao capitalismo ou historicamente contingente?

A disciplina problematiza o conceito de “capitalismo racial” por meio da comparação entre África do Sul, Brasil e Estados Unidos, investigando como distintos regimes racializados de acumulação moldaram a formação da classe trabalhadora e, simultaneamente, foram transformados pela conflitualidade de classe engendrada pelo desenvolvimento desigual do capitalismo em escala global. O foco recai sobre o papel do trabalho (formal, informal, escravizado ou precarizado) na constituição das hierarquias raciais e na própria dinâmica da acumulação.

Ao final, o curso propõe avaliar se a racialização dos trabalhadores constitui um elemento constitutivo do desenvolvimento desigual do capitalismo global ou se representa uma forma historicamente contingente de organização da dominação de classe em contextos sociais específicos, contribuindo assim para um balanço crítico do debate contemporâneo sobre o capitalismo racial.