Instituto de Estudos Brasileiros
Essa disciplina tem como objetivo discutir, sob o ponto de vista da História Econômica e Social, a questão de gênero na formação econômica e social do Brasil. No curso, as indicações bibliográficas selecionadas funcionam como disparadores. Espera-se que a partir de tais referências as alunas e alunos possam refletir sobre nossa evolução histórica, colocando a questão do gênero em primeiro plano. Para isso, contribuem reflexões a partir do tempo atual e de nossas próprias experiências como mulheres e homens num contexto historicamente patriarcal.

Esta disciplina tem como objetivo analisar uma seleção de tópicos sobre nossa formação econômica e social. Nesse semestre, daremos ênfase aos períodos colonial e imperial, sem deixar, contudo, de tratar de temas relativos à transição capitalista, a industrialização brasileira antes de 1930 além das políticas de defesa do café na República Velha. As discussões encontram-se fundamentadas em obras clássicas da nossa historiografia econômica, incorporando, sempre que possível, uma produção historiográfica mais recente. O programa está dividido em temas selecionados conforme seu grau de relevância para a consecução dos nossos objetivos. 

O curso tem como objetivo pensar a poesia como forma literária próxima da música, e que com ela mantém relações em vários planos, partindo tanto de reflexões conceituais como da análise da dimensão musical de poemas e do estudo da dimensão poética de peças musicais. Grande atenção será dada a obras poéticas que buscaram, de diferentes formas, elaborar o aspecto musical, bem como às incursões que poetas brasileiros como Manuel Bandeira, Augusto de Campos e Alice Ruiz fizeram no campo da música. Procuraremos desenvolver instrumentos analíticos para avaliar as apropriações que diversas e diversos compositores e intérpretes fizeram de obras poéticas, mesmo que não tenham sido pensadas para a performance musical, a partir do começo do século XX. Visa-se, com isso, preparar as alunas e alunos para a apreciação crítica da dimensão poética de obras musicais de diferentes gêneros, em suas especificidades, investigando os motivos que levam ao sucesso ou ao fracasso da integração entre poesia e música. O curso prevê a possibilidade de realização de encontros experimentais de criação poética e musical por parte dos alunos e alunas, envolvendo a mobilização das discussões e conhecimentos trazidos e/ ou adquiridos, a depender do interesse da classe.

Analisar e interpretar a produção brasileira de canções populares pesquisando as relações entre música, literatura oral, arte e sociedade no âmbito dos processos de globalização econômica e mundialização da cultura. Estudar a realização das obras quando inseridas no ritual religioso ou na festa popular de certa comunidade e quando transformadas em mercadoria. Investigar as mudanças do mercado fonográfico hegemônico no quadro das novas tecnologias de produção, difusão e consumo, bem como as alterações provocadas por este quadro na estética das obras. Pesquisar as produções comerciais com vigência à margem do mercado cultural hegemônico.

Estudar a correspondência de escritores e intelectuais brasileiros dos séculos XIX e XX, em uma perspectiva histórica, historiográfica e crítica. Refletir sobre as estratégias discursivas inerentes à epistolografia. Problematizar as relações entre literatura e gêneros testemunhais no Brasil. Avaliar o potencial de textos memorialísticos como fonte de pesquisa histórica e literária; explorar documentação epistolar em arquivos públicos e privados.
Analisar e interpretar as principais formas da canção popular brasileira no período compreendido entre 1930 e 1979. Refletir sobre a experiência histórica brasileira sintetizada nas várias formas de canção, por meio da leitura de comportamentos e de valores cantados em obras modelares. Reconhecer as especificidades da linguagem da canção, estudando-a em relação à música e à literatura. Estudar o processo de realização das canções populares (produção-difusão-consumo), pesquisando as relações entre cultura popular tradicional, cultura letrada e indústria cultural num período marcado pelo crescimento industrial e pela urbanização.
O curso se propõe a desenvolver o entendimento do conto e da crônica na qualidade de gêneros narrativos breves, fundados em certos princípios próprios de composição e de recepção histórica. As idéias gerais serão formuladas a partir da discussão de alguns ensaios teóricos, mas principalmente por meio da leitura e interpretação de textos de escritores nacionais, representantes de diferentes estéticas e momentos que marcaram a literatura brasileira. O curso tem ainda a peculiaridade de se restringir a autores que escreveram nos dois gêneros, permitindo uma visão comparada de seus recursos estilísticos, conforme a destinação. Os textos literários a serem analisados encontram-se na bibliografia indicada. As aulas serão divididas em duas partes, sendo a primeira dedicada ao conto e a segunda à crônica.
O curso tratará do gênero do poema em prosa, apresentando um histórico de seu surgimento na França do século XIX e os desdobramentos ao longo do século XX. Textos de autores como Baudelaire, Mallarmé, Max Jacob e outros serão discutidos com o objetivo de delinear a (in)definição inerente a essa forma de escrita. A partir dessas coordenadas, serão apresentados e discutidos também alguns livros e autores da literatura brasileira que se dedicaram ao gênero, ao longo do século XX. Nesse sentido, serão analisados textos de Raul Pompeia, Oswald de Andrade e Anibal Machado, Murilo Mendes e outros, incluindo autores contemporâneos.
Refletir sobre o fazer científico, observando aspectos teóricos e conceituais e seus desdobramentos empíricos quanto à metodologia da pesquisa acadêmica. Contextualizar perspectivas da ciência ocidental moderna, à luz do pensamento decolonial. Debater aspectos teóricos e empíricos a respeito de: ética, recorte do objeto, questão de pesquisa, acesso e utilização das fontes e divulgação da produção do conhecimento. Observar metodologias correntes no campo das Ciências Humanas e Sociais, notadamente aquelas que contribuem para os estudos brasileiros. Cooperar para o refinamento metodológico de pesquisas acadêmicas em andamento.
Adotando como referências o estilo ensaístico do cânone bibliográfico dos chamados “intérpretes do Brasil” e uma problematização da arquitetura disciplinar convencional o objetivo central desse curso é trabalhar uma visão epistemológica de abordagem atualizada do Brasil como um objeto social único. E como desdobramento desse objetivo, experimentar algumas hipóteses de interpretação do Brasil contemporâneo. A visão epistemológica inclui as perspectivas da interdisciplinaridade como caminho para a sustentação inicial dos Estudos Brasileiros como área do saber apropriada para se pensar o Brasil como totalidade social. As hipóteses interpretativas se organizam em torno de um eventual “drama hamletiano” que percorre o Brasil entre o ser ou não ser uma sociedade plena e democrática. Essa situação muito tematizada a partir de abordagens teóricas distintas, terá no curso uma avaliação que considera um conjunto de forças compreendidas como antissociais, que estão presentes de forma intensa no Brasil contemporâneo, tais como a proeminência do “libertarianismo” e do avanço dos comunitarismos. Sem dúvida será preciso trabalhar de forma apurada o contexto social, uma ordem de significação, para avaliar as formas antissociais que entendemos prosperar em nossa realidade e nesse se enquadra a questão do espaço público de discussão corrompido por um espaço comunicativo (cuja forma mais importante são as redes sociais digitais) propenso à fratura social.