Museu Paulista
O objetivo da disciplina é discutir sobre o papel que os museus e as políticas de patrimônio cultural podem desempenhar na abordagem de histórias difíceis, isto é, aquelas relacionadas a processos e eventos históricos marcados pela violência e sobre os quais persistem silêncios e tensões. Também buscaremos compreender o impacto das mobilizações políticas e sociais sobre o campo da cultura no pós-guerra, sobretudo no que diz respeito à maior visibilidade pública das histórias e memórias de grupos minorizados. A noção de dever de memória orientará a análise das estratégias utilizadas para tratar as memórias traumáticas nos museus e no patrimônio. Este referencial permite problematizar a função social dos museus e das políticas públicas de cultura como instrumentos centrais na promoção da cidadania e dos direitos humanos.
Refletir sobre a presença/ausência de objetos e imagens representativos da experiência afrodiaspórica no passado/presente produzido e divulgado em museus de história. Compreendendo os museus como laboratórios da história, segundo acepção de Ulpiano Bezerra de Meneses (1994), interessa-nos identificar experiências específicas de produção historiográfica em museus de história e sua abordagem sobre escravidão, pós-abolição e protagonismos negros, historicizando-as como práticas de curadoria. Trabalharemos com estudos de caso em museus tradicionais como o Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro e o Museu Paulista, em contraponto com o Museu Afrobrasil, o Instituto dos Pretos Novos, e o Museu do Negro, no Rio de Janeiro. A intenção da disciplina é compreender o papel dos museus na produção de um passado que contribuiu para a construção do racismo pela via da história materializada em objetos, coleções e exposições. Visa também a refletir sobre o momento atual de autocrítica dessas instituições e implementação de projetos antirracistas e decoloniais, em diálogo com experiências realizadas em outros museus.

Introduzir a questão do imaginário natural e construído, por intermédio do suporte visual e escrito. Em particular, o interesse recai sobre a iconografia dos viajantes, especialmente os que percorreram a província/ estado de São Paulo ao longo do século 19. De par com isso, os relatos, quer dos mesmos viajantes ou de outros, que consolidaram versões sobre as paisagens, usos, costumes e formas de trabalho. A partir disso, estudar o circuito de tais relatos (visuais e textuais): produção, circulação e apropriação em muitas variáveis e até mesmo suas contestações.

Introduzir a questão do imaginário natural e construído, por intermédio do suporte visual e escrito. Em particular, o interesse recai sobre a iconografia dos viajantes, especialmente os que percorreram a província/ estado de São Paulo ao longo do século 19. De par com isso, os relatos, quer dos mesmos viajantes ou de outros, que consolidaram versões sobre as paisagens, usos, costumes e formas de trabalho. A partir disso, estudar o circuito de tais relatos (visuais e textuais): produção, circulação e apropriação em muitas variáveis e até mesmo suas contestações.

Ementa e objetivos | Fornecer aos alunos noções básicas sobre as estratégias de preservação do patrimônio cultural no Brasil relativas tanto às manifestações materiais quanto imateriais ou intangíveis, bem como sobre as transformações conceituais que balizaram as políticas públicas de preservação, especialmente do tombamento e de criação de museus;                                                                                

Abordar os processos históricos de construção de políticas públicas de preservação do patrimônio cultural brasileiro nas esferas federal, estadual e municipal, verificando as variações de critérios seletivos e de inventário quanto às manifestações do patrimônio cultural;            

Explicitar contornos ideológicos das políticas públicas de preservação do patrimônio cultural e suas relações com a afirmação de identidades coletivas no Brasil.

Avaliação | Participação nas discussões em aula e prova final escrita.


Programa detalhado

Módulo 1 | Os conceitos de patrimônio cultural e o edificado como referência


25.2 | aula 1 | Apresentação: de que matéria a memória é feita?

MBEMBE, Achille. O que fazer com as estátuas e os monumentos coloniais? Trad. Juliana de Moraes Monteiro e Carla Rodrigues. Revista Rosa, v. 2, n. 2, nov. 2020. 


4.3 | Não haverá aula [Carnaval]


11.3 | Não haverá aula [Evento científico]


18.3 | aula 2 | O conceito de patrimônio no Ocidente: a Revolução Francesa e os paradigmas da preservação

CHOAY, Françoise. A alegoria do patrimônio. Trad. Luciano Machado. 3ª ed. São Paulo: Estação Liberdade/Ed. Unesp, 2006. Capítulos III e IV: “A Revolução Francesa” e “A consagração do monumento histórico” (p. 95-174).


25.3 | Não haverá aula [Evento científico]


1.4 | aula 3 | A criação de organismos e estratégias supranacionais de proteção ao patrimônio

SILVA, Fernando Fernandes. As cidades brasileiras e o patrimônio cultural da humanidade. 2ª ed. São Paulo: Peirópolis/Edusp, 2012. Capítulos 2 e 3: “Evolução da proteção internacional dos bens culturais imóveis” e “As instituições da convenção que prestam assistência internacional no campo dos bens culturais” (p. 49-86). 


5.4 | aula 4 | Cinema no Museu [sábado] 

Exibição de “Tava, a Casa de Pedra” (2012) e debate com Ariel Ortega Kuaray Poty e Patrícia Ferreira Pará Yxapy


8.4 | aula 5 | As matrizes intelectuais e as primeiras políticas públicas de patrimônio no Brasil

MAGALHÃES, Aline Montenegro. A Inspetoria de Monumentos Nacionais do Museu Histórico Nacional e a proteção de monumentos em Ouro Preto (1934-1937). Anais do Museu Paulista: História e cultura material, São Paulo, v. 25, n. 3, 2017. 

CHUVA, Márcia. A proteção institucionalizada. In: CHUVA, Márcia. Os arquitetos da memória: sociogênese das práticas de preservação do patrimônio cultural no Brasil (anos 1930-1940). 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2017, p. 143-198.


15.4 | Não haverá aula [Semana Santa]


22.4 | aula 6 | As matrizes intelectuais e as políticas públicas de patrimônio na Cidade e no Estado de São Paulo

RODRIGUES, Marly. Imagens do passado: a instituição do patrimônio em São Paulo (1969-1987). São Paulo: Ed. Unesp/Imesp/Condephaat, 2000.

MARINS, Paulo César Garcez. Trajetórias de preservação do patrimônio cultural paulista. In: SETÚBAL, M. A. (org.). Terra paulista: trajetórias contemporâneas. São Paulo: Cenpec/Imprensa Oficial, 2008, p. 135-165.

Módulo 2 | Coleções, museus e o patrimônio tridimensional

29.4 | aula 7 | Coleções e museus na esfera federal

JULIÃO, Letícia. Museus e a preservação do patrimônio no Brasil. MAGALHÃES, Aline Montenegro; BEZERRA, Rafael Zamorano (org.). 90 anos do Museu Histórico Nacional em debate (1922-2012). Rio de Janeiro: Museu Histórico Nacional, 2014, p. 175-188.

ANDRADE, Mário de. Museus populares. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, n. 31, 2005, p. 127-131.

ZARUR, Camila. “É como se fôssemos extintos novamente”. Piauí, 3 set. 2018.


6.5 | aula 8 | Coleções e museus na esfera estadual

LIMA, Solange Ferraz de; SILVA, Rodrigo. Para entender o museu. In: LIMA, Solange Ferraz de (coord.). Para entender o museu. São Paulo: Museu Paulista da Universidade de São Paulo/Edusp, 2022, p. 14-33. Coleção Museu do Ipiranga, v. 1.

NERY, Pedro. A Pinacoteca do Estado no Liceu de Artes e Ofícios (1905-1912): uma coleção de arte. In: NERY, Pedro. Arte, pátria e civilização: a formação dos acervos artísticos do Museu Paulista e da Pinacoteca do Estado de São Paulo (1893-1912). Dissertação (Mestrado em Museologia), Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015, p. 92-139.

MISAN, Simona. Os museus históricos e pedagógicos do estado de São Paulo. Anais do Museu Paulista: História e cultura material, v. 16, n. 2, 2008.


13.5 | aula 9 | Coleções e museus na esfera municipal

RIBEIRO, David W. A.  Uma exposição para o IV Centenário de São Paulo: um historiador português narra a “história bandeirante”. Anais do Museu Paulista: História e cultura material, v. 26, 2018.

SANDRONI, Carlos. O acervo da Missão de Pesquisas Folclóricas, 1938-2012. Debates — Cadernos do Programa de Pós-graduação em Música, v. 12, 2014, p. 55-62.


20.5 | aula 10 | Visita ao Museu do Ipiranga

Visita às exposições de longa duração Para entender o Museu, Passados imaginados e Uma História do Brasil. 


Módulo 3 | Cultura e cidadania no Brasil contemporâneo

27.5 | aula 11 | A Cultura na Constituição de 1988

FONSECA, Maria Cecília Londres. A fase moderna. In: FONSECA, Maria C. L. O Patrimônio em processo: trajetória da política federal de preservação no Brasil. 4ª ed. rev. ampl. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2017, p. 139-190.

CAMPOS, Yussef D. S. Desafios propostos pela Constituição de 1988 ao patrimônio cultural. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, n. 35, 2017, p. 203-211.


3.6 | aula 12 | O patrimônio imaterial e seus detentores: políticas e práticas

RIBEIRO, David W. A. As políticas culturais e a produção do conhecimento na prática. In: RIBEIRO, David W. A. Por uma política cultural antirracista: as caminhadas indígenas, quilombolas e afro-diaspóricas diante das permanências coloniais e escravistas (1988-2020). São Paulo: Intermeios, 2023, p. 209-279.

INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL. vídeo, 54 min.


10.6 | aula 13 | Interdependências entre o cultural, o natural e as muitas dimensões do patrimônio

PAIVA, Marcelo Cardoso de. Entre a lembrança e o esquecimento: memória, história e patrimônio cultural afro-brasileiros. Revista Brasileira de História, v. 41, n. 88, set.-dez. 2021.

CRISPIM, Felipe Bueno. O tombamento de áreas naturais pelo CONDEPHAAT: marco de inovação e memória da instituição do patrimônio paulista (1976-1995). arq.Urb, n. 26, 2019.


17.6 | Avaliação final

Prova escrita


24.6 | aula 14 | Encerramento

Devolutiva das avaliações, exibição do documentário “Territórios de Resistência: Florestanias, Sertanias, Ribeirias” (2021) e roda de conversa sobre a disciplina