Museu Paulista
O objetivo da disciplina é discutir sobre o papel que os museus e as políticas de patrimônio cultural podem desempenhar na abordagem de histórias difíceis, isto é, aquelas relacionadas a processos e eventos históricos marcados pela violência e sobre os quais persistem silêncios e tensões. Também buscaremos compreender o impacto das mobilizações políticas e sociais sobre o campo da cultura no pós-guerra, sobretudo no que diz respeito à maior visibilidade pública das histórias e memórias de grupos minorizados. A noção de dever de memória orientará a análise das estratégias utilizadas para tratar as memórias traumáticas nos museus e no patrimônio. Este referencial permite problematizar a função social dos museus e das políticas públicas de cultura como instrumentos centrais na promoção da cidadania e dos direitos humanos.
- Docente: David William Aparecido Ribeiro
Refletir sobre a presença/ausência de objetos e imagens representativos da experiência afrodiaspórica no passado/presente produzido e divulgado em museus de história. Compreendendo os museus como laboratórios da história, segundo acepção de Ulpiano Bezerra de Meneses (1994), interessa-nos identificar experiências específicas de produção historiográfica em museus de história e sua abordagem sobre escravidão, pós-abolição e protagonismos negros, historicizando-as como práticas de curadoria. Trabalharemos com estudos de caso em museus tradicionais como o Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro e o Museu Paulista, em contraponto com o Museu Afrobrasil, o Instituto dos Pretos Novos, e o Museu do Negro, no Rio de Janeiro. A intenção da disciplina é compreender o papel dos museus na produção de um passado que contribuiu para a construção do racismo pela via da história materializada em objetos, coleções e exposições. Visa também a refletir sobre o momento atual de autocrítica dessas instituições e implementação de projetos antirracistas e decoloniais, em diálogo com experiências realizadas em outros museus.
- Docente: Aline Montenegro Magalhães
O objetivo é oferecer um panorama da história do colecionismo de arte sacra a partir da formação dos acervos públicos e da emergência do mercado de artes e antiguidades, analisando a atuação dos múltiplos agentes sociais envolvidos, como museus, órgãos de preservação, colecionadores, marchands e antiquários.
Introduzir a questão do imaginário natural e construído, por intermédio do suporte visual e escrito. Em particular, o interesse recai sobre a iconografia dos viajantes, especialmente os que percorreram a província/ estado de São Paulo ao longo do século 19. De par com isso, os relatos, quer dos mesmos viajantes ou de outros, que consolidaram versões sobre as paisagens, usos, costumes e formas de trabalho. A partir disso, estudar o circuito de tais relatos (visuais e textuais): produção, circulação e apropriação em muitas variáveis e até mesmo suas contestações.
- Docente: Ana Paula Nascimento