Filosofia da Educ e Ciências da Educ
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O curso tem por objetivo abordar a história da educação brasileira, com foco no processo de escolarização, como forma de introduzir os alunos aos estudos da Educação.

INTRODUÇÃO: A discussão sobre a cultura e suas formas de disseminação sofreu uma importante inflexão a partir dos anos 1950, quando difundiu-se no meio acadêmico um novo modo de compreender o popular. A identidade entre popular e primitivo que havia sustentado as ações neocolonialistas ainda no Oitocentos (ou que apoiara a valorização da cultura erudita nos programas de rádio nos anos 1920) era tomada com suspeita por parte de uma nova intelectualidade que percebia no alijamento histórico das formas de expressão popular os signos da dominação de classes. Nas décadas seguintes, no equacionamento das questões sobre a cultura, a academia viu-se confrontada, ainda, com o fenômeno do mass mídia, e acompanhou, não sem certo temor, a expansão da televisão. O debate atingiu plenamente os educadores. A escola emergiu como em crise em uma dupla direção. As denúncias dessa instituição como reprodutora dos valores dominantes sinalizavam para uma recusa da cultura hegemônica. Simultaneamente, o crescimento da indústria da comunicação de massa aumentava o receio dos educadores de perda do controle da disseminação cultural. Em uma sociedade em que os valores estavam colocados em xeque e em que as informações se difundiam por vários canais, uma questão se colocava: qual a função da escolarização obrigatória? Nas respostas ao diagnóstico da crise, os educadores se viram no desafio de compreender como a escola se exteriorizava sobre o social e como construía seus fazeres cotidianos. Era preciso olhar para o interior da escola e refletir sobre como os saberes escolares se produziam e quais os efeitos que sua produção trazia para a sociedade. A inflexão das interpretações no campo estava associada à difusão do conceito antropológico de cultura que, invadindo as ciências humanas, provocara atentar para os sujeitos e suas experiências como objetos de pesquisa. Acompanhar as trajetórias dos sujeitos implicava uma terceira mutação nos modos de conceber a relação da escola com a cultura, que se agregava às outras duas funções mencionadas: transmissão e produção da cultura. Tomada a partir do trânsito e da freqüência de indivíduos e grupos sociais, a escola era também o local de convivência de culturas (infantis, juvenis, adultas, religiosas, étnicas, dentre outras). No entrecruzamento dessas vertentes, a mirada sobre o escolar e a escolarização foi multiplicada, e a escola interrogada em suas práticas. Seguindo os conselhos da antropologia, estudar a escola como fenômeno cultural implicava em descrever suas práticas e buscar captar os significados atribuídos a elas pelos sujeitos. O movimento supunha valorizar a materialidade do mundo escolar, reconhecer os objetos que o habitam, desenhar os espaços que ocupa e atentar para os tempos que dispõe e para os saberes que elabora. As definições de cultura escolar, então emergentes, tentavam dar conta de todas ou de parte dessas dimensões. OBJETIVOS: Problematizar a emergência da cultura como objeto da escola e da história no campo da História da Educação no Brasil, as questões teóricas e metodológicas que se colocam ao seu tratamento historiográfico e os limites e possibilidades destes aportes são os objetivos do presente curso.

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