Hyperloop

O sonho de viajar entre cidades em 30 minutos

Trens de alta velocidade, como estes na China, permitem que as pessoas morem mais longe do local de trabalho.

POR EMILY BADGER AGOSTO 29, 2017

O projeto do hyperloop foi anunciado por Elon Musk como sendo capaz de levar os passageiros de Nova York a Washington em 29 minutos. Outros defensores da tecnologia de levitação magnética, ou maglev, vendem sonhos semelhantes: de San Francisco a Los Angeles em menos de 30 minutos. De Dallas a Houston, de Portland a Seattle, de Orlando a Miami no mesmo período. A viagem de meia hora é uma espécie de ideia mística dos transportes. É, na verdade, o tempo que muitos de nós passamos em média indo até o trabalho. Estudos internacionais mostraram padrões semelhantes de deslocamentos de meia hora. A história até indica que os romanos viajavam mais ou menos o mesmo, quando a maioria das pessoas se deslocava a pé. Quando damos às pessoas mais velocidade, elas não a usam para poupar tempo, e sim para consumir mais espaço. Como resultado, as cidades se espalharam para regiões cada vez mais distantes do centro com a evolução da tecnologia dos transportes. Carroças puxadas por cavalos ampliaram as cidades dos pedestres. Os bondes possibilitaram os subúrbios. As estradas tornam possíveis as metrópoles. A curiosa estabilidade do tempo médio de meia hora de viagem até o trabalho significa que, quando os trens‐bala ligam dois lugares por uma viagem equivalente a esse período, eles não abrem apenas novas possibilidades para passar o fim de semana e alternativas às passagens aéreas. Eles têm o potencial de reestruturar o cotidiano: onde as pessoas moram, os empregos que ocupam, a forma da expansão das cidades com o passar do tempo. “Musk percebe corretamente que haverá um imenso mercado para a tecnologia maglev e hyperloop para os locais que podem ser conectados em 30 minutos”, disse Jesse Ausubel, cientista ambiental da Universidade Rockefeller, em Nova York. “Qualquer par de cidades que possa ser encaixado numa viagem de aproximadamente meia hora verá um aumento significativo no tráfego”, disse ele. O que acontece quando 30 minutos podem nos levar a distâncias que não se limitam a dois ou 10 quilômetros, e sim 200? Cidades inteiras podem se fundir. A lei da viagem de 30 minutos até o trabalho é conhecida como constante de Marchetti, em homenagem ao físico italiano Cesare Marchetti. Ele deu sequência à obra de Yacov Zahavi, engenheiro dos transportes que, nos anos 1970 e 1980, teorizou que as pessoas teriam uma quantidade de tempo fixa para gastar em deslocamentos. Dedicamos parte do nosso dia ao deslocamento entre diferentes pontos. E esse período, de aproximadamente uma hora, se mantém constante independentemente de onde vivamos ou do quanto viajemos, disse Zahavi. Marchetti observou algumas evidências históricas que comprovavam a ideia: Roma Antiga, Persépolis e Marrakesh tinham cerca de cinco quilômetros de diâmetro, o equivalente à distância que a maioria das pessoas consegue percorrer em uma hora a pé. No futuro, os trens ultrarrápidos vão mudar esse quadro. “O que veremos com essas novas propostas não é necessariamente um crescimento das cidades”, disse Carlo Ratti, diretor do Senseable City Lab, no Massachusetts Institute of Technology. “Mas veremos casos de duas cidades transformadas em uma, em termos de sua cultura, seu mercado de trabalho e suas universidades.”

Filadélfia e Washington podem se tornar ligadas de maneira semelhante à existente entre Manhattan e Brooklyn. Em partes da Europa e do Japão, os trens de alta velocidade já começam a ter esse efeito. Luis Bettencourt, diretor do Instituto de Inovação Urbana Mansueto, da Universidade de Chicago, disse que as cidades podem se tornar mais especializadas. “É possível que alguém vá a Boston para uma cirurgia, e a Nova York para apreciar as artes, e à Filadélfia para outros assuntos”. O futuro dos veículos autônomos já é mais nebuloso. Eles podem levar a cidades mais densas eliminando os estacionamentos e facilitando o compartilhamento de veículos. Ou podem criar manchas urbanas ainda mais vastas. Podem dar aos viajantes mais velocidade (mesmo sem alterar os limites da lei) com a redução de congestionamentos e acidentes, ou com a sincronização entre o movimento de pelotões de veículos e os semáforos. Marchetti e Ausubel desenvolveram ideias para trens de levitação magnética que viajavam em tubos de baixa pressão. Antes dos slogans atuais do hyperloop, Marchetti comentava a possibilidade de viajar de Casablanca a Paris em apenas 20 minutos. “Em outras palavras”, escreveu ele, “uma mulher de Casablanca poderia trabalhar em Paris e voltar para casa para o jantar na mesma noite”.

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